Whatsapp é a Deep Web da nova geração?

Por Nathalya Roberta

Nos dias 15, 16 e 17 de agosto o Sesc Vila Mariana e a revista Cult realizam o seminário “Jornalismo, as novas configurações do quarto poder”, que conta com a presença de profissionais e pesquisadores da comunicação.

Entre os muitos temas abordados no evento, as novas Tecnologias da Informação e Comunicação e o impacto que geram na produção, disseminação e consumo de conteúdo se destacam.

A professora e diretora da Escola de Comunicação da UFRJ, Ivana Bentes, durante sua participação na mesa ‘Fake News – o caos/cosmos da informação digital’ destacou a importância do WhatsApp na disseminação das notícias falsas. Para ela, o “Whatsapp é como a Deep Web”.

A Deep Web é a parte não visível e de acesso mais restrito da internet. Pense na rede dividida em camadas, tudo aquilo que acessamos no dia-a-dia, como nossas contas de email e redes sociais, sites de buscas e entretenimentos é a chamada “Surface Web” ou internet da superfície; e é apenas uma parte pequena do que existe na rede. Em termos fáceis, se a internet fosse um iceberg, a parte da internet que vemos e consumimos seria a ponta dele e a Deep Web ou a internet profunda seria aquilo o que está abaixo da água, ou seja, cerca de 90% da rede.

Por ter seu conteúdo criptografado, a Deep Web possibilita um anonimato aos usuários, gerando uma sensação de segurança. Ela pode ser usada para circular todo tipo de conteúdo que seria vetado ou facilmente descoberto na camada da internet que usamos. E isso pode favorecer tanto a comunicação e a participação das pessoas em países ditatoriais, onde o uso da internet é restrito, por exemplo; quanto para cometer crimes, como tráfico de drogas.

A comparação feita por Ivana, nos aponta para a forma intensa e complexa com que as pessoas, especialmente, os jovens têm usado o aplicativo. Não há controle da disseminação de conteúdo e a possibilidade de criação de grupos facilita a interação entre as pessoas do mundo inteiro com interesses comuns, sejam eles bons ou ruins.

O Whatsapp conta hoje com 1,5 bilhão de usuários no mundo, somente no Brasil são 120 milhões. Esse é um dos fatos que explica a intensidade e a rapidez na disseminação de informações no App, incluindo as notícias falsas.

O país não é conhecido somente como um dos que mais usam o aplicativo, mas também como os que mais efetuaram bloqueios do WhatsApp. Desde 2015, o App foi alvo de quatro pedidos de suspensão, sendo que três foram executados. Os bloqueios foram em reação ao descumprimento pela empresa de ordens judiciais para fornecer dados de conversas entre usuários, no aplicativo. Em sua defesa, a empresa alega que os dados são criptografados e eles não possuem acesso. O caso foi parar no Supremo Tribunal Federal.

No Brasil, o aplicativo tem tanto apelo que ganhou até apelido: ZapiZapi ou apenas Zap. As suas múltiplas funcionalidades foram se transformando ao longo do tempo, e de um simples aplicativo de troca de mensagens ganhou status de rede social. Devido à sua grande popularidade, as novas gerações migraram do Facebook para o WhatsApp, onde elas fazem de tudo um pouco.

Cobertura Educomunicativa

A Agência Jovem de Notícias realizou a cobertura educomunicativa do Seminário “Jornalismo: novas configurações do quarto poder”, realizado pelo Sesc Vila Mariana e a Revista Cult. A atividade é realizada em parceria entre a Viração e o Sesc Vila Mariana e conta com a participação de 13 jovens estudantes de jornalismo, com o apoio de profissionais da Viração.

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