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Voto ou não voto? – Agência Jovem de Notícias

Voto ou não voto?

Jovens discutem a importância do voto nas eleições de 2018

Por Safira Teodoro

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o primeiro turno das eleições de 2018 somaram 29% de votos nulos, brancos e abstenções. É provável que esse percentual aumente no segundo turno, ao considerar a taxa de rejeição de ambos os candidatos que concorrem à presidência do Brasil. De acordo com pesquisa feita pelo Datafolha, no mês de setembro, Jair Bolsonaro, do PSL tem 43% de rejeição por parte dos eleitores. Fernando Haddad, do PT, por sua vez, tem o total de 29% de rejeição.

Fabiana Lira (22) é uma das eleitoras que votou em um candidato no primeiro turno, mas pensa em anular seu voto na próxima vez que for à urna eleitoral. “Como eu não quero nenhum deles no poder, não acho justo ter que escolher entre os piores. Eu prefiro ficar neutra nesse caso”, explica. Já Isabela dos Santos (18), apesar de legitimar a opção de não votar, acredita que é importante escolher um dos dois candidatos. Um deles vai ser eleito de qualquer maneira, ela afirma.

De acordo com o TSE, nulos e brancos não são votos válidos para o cálculo eleitoral. A ideia de que as eleições podem ser anuladas, caso exista a maioria de votos nulos, é um mito. Portanto, o não voto deixa o poder de escolha para os demais eleitores.

Explicação do TSE sobre o mito do voto nulo ter o poder de anular as eleições.

A maceioense Luiza Lipo (20) enxerga que deixar de votar, principalmente no cenário atual, seria dar as costas à 21 anos de luta pelo voto democrático. O Brasil só tem 33 anos de democracia desde a ditadura militar e, a partir de 2006, o não voto só cresceu no país. “É uma questão histórica. Antes existia uma ditadura, onde não tínhamos como escolher nossos presidenciáveis. Agora que temos, muita gente está deixando isso de lado para votar branco, nulo por questões de partido”, explica.

Lucas Ferreira (24), consciente dessas informações, assim como Fabiana, votará nulo. Ele acredita que tal ação é uma forma de demonstrar descontentamento com os dois candidatos. “Obviamente quem vota nulo não está querendo participar da política. A disputa vai ser entre esquerda e direita, como fazem em toda a eleição”, diz frustrado.

De fato, a polarização está cada vez mais acentuada no Brasil. Antes de se basear em partidos, Luiza sugere que as propostas de cada governo sejam analisadas. Desta forma, a escolha de um novo presidente será de acordo com os planos que seus eleitores consideram melhor para seu futuro.

Para tanto, é importante pesquisar, e, sobretudo, ficar atento com notícias falsas. O mineiro Heitor Peres (19) acredita que nesse ano as eleições são um assunto recorrente nas conversas, mas a desinformação ainda é bastante presente. “Estão querendo saber mais sobre o cenário político. Seja pelas fake news ou pela verdade, é um assunto”, comenta.

Para que os eleitores realmente entendam o que se passa no país, é importante que tenham conhecimento sobre o papel e a história política desde cedo. É o que afirma Fabiana, que apesar de escolher não votar, acha indispensável estar por dentro dos acontecimentos. “Eu acho importante o jovem ter engajamento político desde sempre. Independente se vota ou não, é bom pesquisar e conhecer a política do seu país. Faz parte até do crescimento. Para a pessoa entender e votar mais tarde. Conhecer os candidatos e pensar no futuro dela”, afirma.

Abstenção

Somente neste primeiro turno, 20,3% dos “não votos” foram abstenções. Heitor e Luiza, embora tenham um candidato para o segundo turno, provavelmente irão justificar seu voto. Os dois moram em São Paulo, mas precisam viajar, cada um à sua cidade natal, para garantir sua contribuição nessas eleições. “Eu voto em Minas Gerais. Fui no primeiro turno, não sei se vou no segundo. Provavelmente eu vou justificar. Queria muito ir votar, mas infelizmente o gasto é muito alto”, relata Heitor.

Denise Correa (52) passou a justificar seu voto a partir de 2012 pelo mesmo motivo. Se mudou de Sorocaba para São Paulo, porém não transferiu seu título. “Mas nesse segundo turno eu vou sim à Sorocaba votar. Porque eu acho que essa eleição é muito importante. A gente está vivendo em um momento de muita intolerância, em todos os sentidos, em relação a todos os candidatos. E a gente pelo menos tem que dormir com a consciência tranquila, de que está tentando melhorar alguma coisa para o país”, relata.

Denise é uma exceção, pois a fila para justificar o voto tem aumentado nos últimos anos. Assim como ela, muitos esquecem ou procrastinam a transferência de seu título. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo ( TRE-SP), depois de completados três meses de mudança, o eleitor já pode realizar a transferência. Basta comparecer ao posto de atendimento da atual cidade em que reside. Com a condição de ter transcorrido, no mínimo, um ano da data de alistamento ou da última transferência.

Não ter transferido seu título é uma das causas para o grande número de abstenções neste primeiro turno. Alguns também deixam de ir às urnas pelo mesmo motivo do voto nulo e branco. Não querem mais participar da política. No entanto, abdicar de seu voto significa deixar uma escolha na mão de outras pessoas. Uma escolha que provavelmente mudará o rumo do país, independente de quem ganhar. O número de “não votos” só irá diminuir quando o brasileiro reconhecer o peso de sua contribuição para as eleições. Até lá, alguns ainda vão decidir o futuro de muitos.

*Ilustração em destaque por Safira Teodoro e Lara Teodoro.

 

 

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