Você também é drogado?

O assunto “Drogas” foi mais um tema debatido na Reunião da SBPC, afinal, não há como discutir erradicação da pobreza sem estudar esse fenômeno que se propaga cada vez mais na sociedade. A Doutora Flávia Silva, do Rio de Janeiro, veio ao Maranhão mostrar suas pesquisas e percepção sobre o consumo de drogas e usuários. Além da demonstração dos resultados de pesquisas, o tema abordado gerou um grande debate e trouxe novos conceitos para o público.

“Antes de tudo, deve-se saber o conceito de droga. Droga é tudo aquilo que altera alguma função no organismo, segundo a Organização Mundial de Saúde. Ou seja, um café, chocolate, coca-cola, cerveja, cigarro, cocaína… Tudo é droga” pontou a doutora. Tal afirmação gerou espanto e muitas discussões junto ao público. Que reagiu e após algumas considerações chegou-se a um consenso, em que todos se admitiram como drogados, já que alimentos que alteram nosso organismo estão presentes em nosso dia a dia.

O foco da apresentação depois dos aspectos conceituais direcionou-se às drogas psicoativas, que alteram as funções, sensações e atinge o sistema nervoso central. Incluem-se no grupo, drogas como cerveja, cigarro, maconha, crack. O contexto social e o pré-conceito foram pontos citados na palestra e abordados nas considerações pelo público, algo que tornou o debate bem democrático.

O que mais chamou atenção do público foi o estudo de como as famílias lidam com os jovens usuários. Após duas rápidas encenações, todos perceberam que a sociedade, via de regra, condena os usuários de drogas, e os marginalizam, quando o que eles mais precisam é de ajuda. São estes, jovens de todas as classes, que buscam as drogas pelos mais diversos motivos, cuja causa não está ligada somente a família, ou somente a curiosidade. Eles precisam de diálogo e afeto para que sejam compreendidos e não condenados como criminosos ou doentes.

“Educar não é negar”. Essa frase foi diversas vezes repetida para mostrar como as políticas preventivas atuam de forma errada, assim como diversas famílias. “Deve-se mostrar que a droga traz prazer, mas também sérias consequências. O jovem é curioso, portanto não negue. Agora se lembre de alertar. E o mais importante: dar exemplo. Jovens crescem com exemplos e não com palavras” finalizou a doutora Flávia, que foi veementemente aplaudida após trazer uma visão mais democrática e humana dos usuários de drogas.

Texto: Victor Hugo (MA) | Imagem: Victor Hugo (MA). Jovem educomunicador em São Luis.

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