Você sabe o que é Racismo Ambiental?

Nesta nova série especial para a Agência Jovem de Notícias, a Amanda vai compartilhar suas investigações e inquietações sobre o que chamamos racismo ambiental

Por Amanda da Cruz Costa

Amanda Costa – Arquivo pessoal / Fernando Moraes/UOL

Olá minhas hortinhas orgânicas, como vocês estão?

Eu estava morrendo de saudades dos nossos papos mensais! Durante 6 meses nós refletimos sobre as interseccionalidades da Agenda 2030 e agora quero compartilhar meu novo tema de investigação, o Racismo Ambiental.

Mas antes de apresentar uma narrativa sobre essa temática, quero te mostrar a importância de investigar o Racismo como um problema Estrutural.

Acredita que eu já ouvi as seguintes frases:

  • Amandinha, que chatice falar de racismo. Somos todos humanos!
  • Racismo é coisa de gente mimimi. Quem quer consegue!
  • Você mora numa casa tão bonita! Não deveria falar que é na periferia.

Em um mundo que a raça define a vida e a morte, não a tomar como elemento de análise das grandes questões contemporâneas demonstra a falta de compromisso com a ciência e com a resolução das grandes mazelas do mundo.

Silvio Almeida

Queridos, internalizem uma verdade: o racismo é sempre estrutural, ou seja, integra a organização social, econômica e ambiental da sociedade contemporânea.

Essa hierarquia opressora serve como uma tecnologia de colonialismo contra os povos vulneráveis, prejudicando principalmente a galera preta, indígena, quilombola, ribeirinha e todos os demais grupos minoritários que ocupam a base da pirâmide social.

Decidi fazer um recorte para essa narrativa, abordando essa temática a partir do meu lugar de fala, como mulher preta e periférica.

Reflete comigo: Por que existe uma predominância de povos pretos nas favelas e periferias? Por que esses lugares são tão carentes de educação, saúde, saneamento e estruturas básicas que possibilitam uma vida abundante e de qualidade?

Precisamos romper com a cisão criada numa sociedade desigual e criar novos marcos civilizatórios que coloquem sujeitos historicamente subalternizados como protagonistas do debate, fortalecendo sua resistência e reexistência!

RACISMO AMBIENTAL

O Termo Racismo Ambiental foi abordado pela primeira vez pelo líder afro-americano ativista pelos direitos civis Dr. Benjamin Franklin Chavis Jr, em 1981, num contexto de manifestações do movimento negro contra injustiças ambientais.

De acordo com o Dr. Franklin:

racismo ambiental é a discriminação racial na elaboração de políticas ambientais, aplicação de regulamentos e leis, direcionamento deliberado de comunidades negras para instalações de resíduos tóxicos, sanção oficial da presença de venenos e poluentes com risco de vida à comunidades e exclusão de pessoas negras da liderança dos movimentos ecológicos

O termo foi expandido e além de abordar a exposição a resíduos tóxicos, inclui inundações, contaminação pela extração de recursos naturais e industriais, carência de bens essenciais ou a exclusão da administração e tomada de decisões sobre as terras e os recursos naturais pelas populações locais.

Escrever sobre Racismo Ambiental é lutar contra a neocolonialismo exercido pelo sistema capitalista de supremacia branca, que insiste em se apropriar dos recursos das populações pretas, periféricas, indígenas, quilombolas e ribeirinhas.

Pautar esse temática é evidenciar as injustiças ambientais pelas quais os povos vulneráveis são submetidos. Regiões indígenas não demarcadas, favelas com alto risco de deslizamento de terra, lixões e áreas urbanas não atendidas por saneamento básico são exemplos característicos da opressão contra grupos minoritários.

Os povos menos favorecidos socioeconomicamente estão sobrecarregados dos danos ambientais impostos em seus respectivos territórios. Está na hora de construir uma atuação ambientalista que seja intrinsecamente antirracista!

Eu cansei de ouvir que “meio ambiente é assunto de gente branca, rica e burguesa”. Eu estou aqui para quebrar padrões! Sou preta, moro na periferia de São Paulo e assumi o ativismo climático como um dos pilares da minha vida, desafiando o status quo e contrariando a lógica heteronormativa que insiste em silenciar a minha voz.

Genocídio não é só a morte por tiro, mas é toda a lógica de exclusão baseada na nossa identidade racial que faz com que a minha vida seja descartada dentro do sistema.

Stephanie Ribeiro

Querido leitor, te convido a refletir sobre essa temática, descolonizar o seu pensamento e a diversificar a sua curadoria de conteúdo. Que tal começar pelo seu Instagram, seguindo ativistas ambientais pretos e periféricos? 🙂 

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