Visibilidade lésbica é importante no combate ao preconceito

Hoje, dia 29 de agosto, é comemorado o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, data escolhida em homenagem ao lº Seminário Nacional de Lésbicas do Brasil (SENALE) em 1996, com objetivo de não só comemorar as conquistas das minas, mas também trazer ênfase para suas pautas atuais, a lesbofobia e o machismo. A invisibilidade lésbica é algo a ser combatido no nosso dia a dia. Mesmo que ações pareçam inofensivas, pequenas atitudes podem ser formas de silenciar e invisibilizar a comunidade lésbica.

Preconceito somado

Quantas vezes as relações lésbicas foram simplesmente ignoradas? Namoradas são constantemente intituladas como apenas “amigas” ou “boas amigas”, quando na verdade querem com todo o orgulho do mundo apresentarem suas parceiras como namoradas SIM e que isso seja entendido, não escondido, camuflado ou punido. Muitas mulheres sofrem violência ao se assumir, tanto na sociedade, quanto dentro do âmbito familiar, algumas são expulsas de casa logo após se assumirem ou ameaçadas, como conta Juliana Viana, de 22 anos. “Pensando no ambiente familiar, o que mais me marcou e marca, porque é constante, são os comentários da minha mãe sobre o modo como me visto e me comporto, e sobre o meu futuro (…) E ela sempre diz que assim que eu arranjar uma mina, ela me “deserda”. Ou seja, sendo lésbica, não tenho família”

Mulheres homossexuais são frequentemente desacreditadas de sua sexualidade, sendo que a grande maioria afirma ter ouvido as seguintes perguntas: “Você já se relacionou com um homem pra saber se gosta?” “NÃO? Então como sabe que não gosta?”, ou questionadas quando aparecem com suas namoradas, ficantes ou apenas crushs: “Quem é o homem da relação?”

Além de sofrerem violência e serem silenciadas por serem homossexuais, mulheres lésbicas são constantemente vítimas do machismo em diversas situações e ambientes. A cultura patriarcal também tem força dentro do movimento LGBT, dando sempre preferência às pautas dos homens homossexuais. Sobre isso, Eduarda Clementine, lésbica, de 17 anos,comenta em entrevista: “A própria comunidade LGBT é maçante pra mim. E destaco ela não dizendo que é pior que o patriarcado, mas porque ela É o patriarcado também. Mas de forma mais dolorosa, porque era um local para ser confortante e seguro, mas para lésbicas não são”.

Mesmo que o preconceito contra lésbicas beba da fonte da homofobia, os dois são coisas diferentes.  A lesbofobia traz consigo a questão do gênero, prova disso são os inúmeros casos de estupros como suposta forma de “correção” de lésbicas e a extrema fetichização dos relacionamentos entre mulheres por parte dos homens, como nos conta Maura Garcia de 16 anos: “Basicamente, a visão heteronormativa é de que se você é mulher, em algum momento da sua vida você vai se atrair por um homem. Em consequência disso, é fácil perceber que nós, mulheres lésbicas, só temos visibilidade em filmes pornôs produzidos para deleite de homens cis, héteros. E para mim esse é o maior exemplo de predominância do machismo e do patriarcado em nossas vidas e sexualidade.”

 

Lesbofobia e o racismo

As mulheres negras sofrem um silenciamento ainda maior, devido à lesbofobia conectada com o racismo. A representatividade nesse caso é ainda mais dificultada, e quando chega a acontecer de uma mulher lésbica e negra estar nos holofotes, esse acontecimento é acompanhado de comentários racistas, homofóbicos e machistas. Em entrevista, Giovana Oliveira, jovem negra de 16 anos, comenta “Eu sinto que a mulher negra, de todas as formas e em todos os ambientes, é um ser invisível. Se uma mulher já é inferiorizada, eu diria que para a sociedade uma mulher negra nem ao menos existe. E se ela é lésbica então, coitada, ela é o quê? Nada.”

Um bom exemplo desse preconceito que as mulheres negras e lésbicas sofrem é o caso de Luana. No dia 9 de abril de 2016 por volta das 19h, Luana Barbosa dos Reis estava levando seu filho de 14 anos à um curso de informática, quando foi abordada por 3 policiais militares, e teve a revista solicitada. Ela se recusou a ser revistada por homens, afinal Luana não era homem e teria o direito previsto por lei de exigir a revista de uma policial mulher. Esse foi o estopim para que fosse brutalmente espancada na frente de seu filho. Dias depois Luana veio a óbito devido aos ferimentos causado pelos policiais. O caso foi pouco comentado dentro das grandes mídias. Luana era negra-lésbica-periférica.

 

Visibilidade importa

Para que os tabus e os preconceitos se rompam, é preciso dar visibilidade às mulheres lésbicas!

Onde está a representatividade para essas mulheres? Não está na capa de revistas, nos romances, nas novelas, ou nas notícias. Sabemos que existem lésbicas em todos os ramos, mas porque não as vemos nas mídias? Isso é claramente um silenciamento.

Precisamos ter noção do quanto ser representada é necessário, o quão fortificante é ter exemplos de luta em todas as áreas da sociedade, inclusive na mídia!

Então lá vai um grande exemplo de representatividade:

Rafaela Silva! Sim, a primeira medalha de ouro do Brasil nos jogos olímpicos 2016. Ela e Thamara Cezar namoram a 3 anos e vivem na cidade do Rio de Janeiro. A judoca dividiu sua conquista com a namorada, e ressalta que ela foi fundamental para a sua vitória.

Foto: Giovana Bastos Oliveira
Fotos: Giovana Bastos Oliveira

Visibilidade traz mudança, traz voz, traz PODER! Valorizem a produção de lésbicas, dêem participação e protagonismo a elas. Empoderem essas mulheres!

Então, vamos comemorar o dia da visibilidade lésbica. Aqui vai uma de muitas ações que acontecerão em São Paulo nessa segunda, dia 29 de agosto:

 

Ato da Visibilidade:

Onde: Praça Roosevelt

Quando: As 17hrs

Link do evento no facebook:

https://www.facebook.com/events/332302660441901/

 

Compareçam e fortifiquem essa luta!

Letícia Vidinha
Estudante, 17 anos.
"As palavras são fonte riquissima de informação e expressão. Sonho em saber usá-las bem."

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