Clube do Bordado na inauguração do Sesc 24 de Maio

Vamos bordar: diálogo e expressão

|Por Flora Beatriz, da Agência Jovem de Notícias de São Paulo|

A inauguração do Sesc 24 de Maio mostrou-se muito ampla, abrangendo atividades e oficinas para os mais diversos segmentos da sociedade. No meio de toda essa diversidade, destacou-se o Clube do Bordado, um coletivo formado desde 2013 pelas amigas Camila Gomes Lopes, Laís Souza, Renata Dania, Marina Dini, Amanda Zacarkim e Vanessa Israel.

O projeto tem o objetivo de criar artes exclusivas por meio da aquarela, bordado livre e técnicas manuais. O coletivo também realiza cursos e encontros no intuito de empoderar e estimular a expressão da singularidade de cada um por meio da arte feita à mão, visando caminhos para o diálogo e possibilidades de manifestar a sua arte.

O avanço da Internet e o uso dos meios tecnológicos se consolidaram através do tempo, mostrando uma ressignificação – positiva e negativa – de tudo o que nos circunda. Fazendo um paralelo com o coletivo Clube do Bordado e suas atividades, pode-se perceber o quanto é importante atividades que nos desliguem das redes, do contato apenas virtual e do apego aos aparelhos tecnológicos, que embora apresentem inovação e praticidade, também nos mostra o distanciamento entre as relações humanas e sociais decorrentes deste avanço.

Nilda Miranda, uma das apreciadoras da inauguração e participante da oficina do coletivo, comentou que bordar traz muita calma a ela:  “tantas horas que a gente fica no celular, na TV e você pode estar aqui, no bordado, nos seus pensamentos, com as suas coisas. É um tempo precioso”.

As oficinas eram bem diversas, tanto para iniciantes quanto para pessoas que já conheciam o trabalho, tornando o espaço aberto para trocas de experiências, conversa entre pares e propiciando o aprendizado para todas as pessoas que ali passavam.

A ideia era levar a vivência do bordado para pessoas que talvez nunca se imaginariam bordando, como Antônio, outro participante da oficina, que pela primeira vez realizava a atividade e curtindo bastante o novo aprendizado. “A ideia é ter o primeiro contato mesmo, sabe? É uma surpresa, você está passando aqui, vem no Sesc, e de repente cruza com uma oficina que você pode sentar e aprender uma coisa nova” diz Mariana Dini, uma das oficineiras e formadoras do coletivo.

Um ponto a se observar é a quebra de estereótipos que a atividade propõe, como é o caso da Caroline Vieira, participante da oficina e já praticante do bordado: “depois que eu comecei a bordar, as pessoas no trabalho viam e comentavam que há anos não viam alguém bordando. É muito engraçado porque perguntam a minha idade e comentam como sou nova e já estou bordando”.

Além disso, a atividade questiona também os papéis sociais do gênero. “Normalmente nossas oficinas não têm homens. Dificilmente damos aulas para homens e no Sesc, como passa muita gente, a gente alcança um público diferente, que não vai atrás da gente, mas que cruzamos o caminho deles e eles acabam ficando interessados”, comenta Dini.

E esse foi um dos destaques da inauguração do tão esperado Sesc 24 de Maio, que acolheu nesses dois dias as mais variadas pessoas para a realização e interação de diferentes atividades. Ao final do final de semana intenso, fica a importância dessa experiência cultural, que proporciona o encontro com o novo e a reconstrução de si, atrelando assim um passeio num domingo chuvoso a um bocado de saberes, conhecimentos e experiências adquiridas e trocadas de forma didática e agradável.

 

Este texto é resultado da cobertura educomunicativa da inauguração do Sesc 24 de Maio, realizada por adolescentes e jovens do projeto Agência Jovem de Notícias e da Viração Educomunicação, em parceria com o Sesc São Paulo.

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