Universidade pública oferece especialização em Permacultura

Imagens: participantes da especialização em Permacultura da UFCA

Numa ensolarada sexta feira, 19/08, iniciou-se a primeira turma da Especialização em Permacultura da Universidade Federal do Cariri/UFCA, pelo Instituto Interdisciplinar de Sociedade, Cultura e Artes. Com apoio do Banco do Nordeste e da UniPermacultura – Educação para Transição e Resiliência/RS, a iniciativa, gratuita e realizada em módulos presenciais aos fins de semana, está reunindo pessoas de diversos estados: Ceará, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo, Roraima, para aprofundar saberes e práticas, científico/acadêmicos e populares/tradicionais/experimentais sobre a Permacultura.

A Permacultura é um sistema de planejamento que reúne, articula, sistematiza e aplica saberes e práticas ancestrais e contemporâneos nas diversas áreas e dimensões da vida humana, necessárias para a realização de sociedades sustentáveis. Da produção de alimentos e manejo da terra, construções ecológicas, passando por uma saúde alternativa, espiritualidade, educação, cultura até a economia solidária e posse e gestão política comunitárias. A edição 109 da Revista Viração publicou, na página 14, uma matéria massa sobre a questão!

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Sob um telhado de palha, sem paredes, sombra de grandes mangueiras, jardins, animais passando entre nossas pernas, num ambiente de cultura e memória popular, 45 pessoas se reúnem para confabular e aprender-ensinar saberes e práticas para novos mundos, novos modos de ser e estar, novos modos de sonhar.

O primeiro módulo, que segue até o domingo, 28/09, consiste no Curso de Design em Permacultura (PDC), um curso introdutório, metodologia já tradicional da Permacultura, que visa apropriar todas as pessoas participantes das noções e saberes básicos necessários para o posterior aprofundamento nas temáticas que serão abordados: agrofloresta, educação dialógica, construções sustentáveis, saúde natural e espiritualidade, governo comunitário e posse da terra, entre outros temas que envolvem a pétala de sabres e práticas da permacultura.

Esse módulo conta com a parceria da ONG Beatos – Base Educultural de Ação e Trabalho de Organização Social, que cedeu o espaço e disponibilizou a infraestrutura de alimentação e acampamento, como também está inspirando com o espírito de colaboração, de beleza, de cultura popular, da permacultura.

Quatro participantes do Mandala – Laboratório Colaborativo e Ecopedagogico de Permacultura, iniciativa da Rede Potiguar de Permacultura e sediado e com o apoio do Museu Câmara Cascudo/UFRN, cursam a especialização e contribuem com uma cobertura colaborativa, além de auxiliarem em processos de sistematização de saberes e articulações institucionais.

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O PDC tem como corpo docente uma equipe multidisciplinar da UniPermacultura, contando com a presença de Marcos Ninguém. O Pró-Reitor de Cultura da UFCA, Eduardo Vivian, afirma que para a Universidade essa especialização é uma possibilidade da inovação, de trazer um elemento novo para o meio universitário e para o debate da questão ambiental: “Se fala muito de sustentabilidade, mas a permacultura aprofunda e busca desconstruir paradigmas tradicionais e implementar princípios que normalmente não estão presentes nas outras práticas e discursos da sustentabilidade. Isso areja a universidade”.

Ele acrescenta que iniciativas como essas contribuem com o movimento da permacultura no Brasil, tanto do ponto de vista acadêmico-científico, como levando a proposta a mais espaços, encampa e fortalecendo o discurso da permacultura com o respaldo da universidade, além de trabalhar algo essencial para a sociedade. Uma grande demanda/desafio social da atualidade é a questão ambiental e esta precisa ser encarada de forma consequente”, afirma.

Mikaelle Cavancalte, engenheira agrônoma, especialista em agroecologia e desenvolvimento rural sustentável e educação do campo destaca que “tanto a permacultura como todo o movimento que atua no desenvolvimento rural sustentável buscam trazer essas questões para a ação, para a realização, não só discussões e filosofias. A gente vê o meio ambiente como algo essencial, sem ele a gente não existe. Estamos desgastando todos os recursos que temos de forma desordenada sem pensar no futuro. A permacultura e a agroecologia vêm para pensar e fazer a consciência ecológica, trazendo algo que dá certo, mostrando que realmente é possível fazer diferente e sair do comodismo e da destruição que a revolução industrial e revolução verde trouxe para as nossas vidas”.

Ela afirma que “o PDC está sendo ótimo, porque eu estou conhecendo coisas que não conhecia ou só tinha a teoria e agora estou me aprofundando. Está sendo muito importante para nossa formação, nossa consciência crítica, discutindo assuntos pouco tratados. Estamos podendo compartilhar e dialogar com pessoas que já rodaram o mundo todo buscando melhorar nosso mundo”.

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A primeira turma da especialização conta com pessoas de diversas áreas de formação, das ciências agrícolas, arquitetura e urbanismo, biologia, tecnólogos da produção, artes visuais, comunicação, educação, economia, todas buscando solucionar os desafios da atualidade.

Vale destacar que a especialização busca a coerência entre os princípios da permacultura e as práticas cotidianas. Sendo assim, a alimentação durante os módulos é vegetariana e não se usam descartáveis, buscando-se diminuir os impactos ambientais. Mikaelle chama Paulo Freire para nos inspirar e recorda: “É fundamental diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, de tal forma que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática”.

Rodri Nazca
Rodri Nazca é comunicamora e educamora popular, aprendiz autodidata de design em permacultura, participante do curso de especialização em permacultura da UFCA, atua no Mandala – Laboratório Colaborativo e Ecopedagógico de Permacultura/UFRN, em Natal/RN, como também é correspondente colaboradora da Agência Jovem de Notícias e participante da Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadoras e Comunicadores.

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