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Uma maior ambição enquanto a Mãe Terra grita – Agência Jovem de Notícias

Uma maior ambição enquanto a Mãe Terra grita

Giulia Requejo, Luchelle Furtado e Roberta Pisani
Traduzido por Paulo Lima

“Um dia desses eu estava trajada e pintada no aeroporto, porque eu estava vindo de um ritual, de uma conferência. Quando eu parei no aeroporto de Confins, em Belo Horizonte, percebi que uma senhora estava com uma criancinha. O menino ficou assustado enquanto me olhava e foi quando ela falou algo no ouvido do garotinho. A partir daí, ele ficou com um olhar de espanto para mim. Por um acaso a mãe se distraiu e o perdeu de vista. Foi quando ele chegou em mim e disse: ‘Mamãe me disse que você come gente’. Fique sem reação, afinal isso é constrangedor.” Foi com essa fala que Anália Tuxá relatou um momento triste e preconceituoso que muitos indígenas sofrem constantemente.

Líder do povo Tuxá (“filhos das águas”) e original de Minas Gerais, Anália deu diversas palestras na Conferência ONU sobre Mudanças Climáticas (COP24) em Katowice na Polônia, contando momentos da sua vida e a importância de preservar as florestas brasileiras.

Ao relembrar da antiga terra da qual o seu povo pertencia, a indígena recorda com lágrimas nos olhos, recordações de um tempo que parecem distantes. “A minha maior lembrança são dos momentos que podíamos ser livres na ilha.”

O território do qual Anália se recorda de boas lembranças ficava na Ilha da Viúva, na Bahia. No entanto, foi submerso pela construção da hidrelétrica de Itaparica. Após a inundação, seu povo se dividiu em seis territórios, tendo o maior fluxo de migração para outras cidades da Bahia. Outros pessoas do grupo se encontram em Alagoas, Pernambuco e em Minas Gerais. De acordo com o último dado de 2014 do Siasi/Sesai, existem mais de 1700 integrantes do núcleo espalhados por várias regiões.

Guerreira e resistente são palavras que definem muito bem a cacique. Anália tem orgulho de manter as tradições. “Nós somos os únicos índios [pertencentes ao povo Tuxá] que ainda falam o idioma, porque eles [outros índios] perderam e não usam mais a nossa língua”. E ainda completa: “Nós temos a nossa tradição espiritual, religiosa, a nossa forma de plantar e de viver no território. Vivemos de uma maneira sustentável”.

Quando questionada sobre a relação dos indígenas com os brancos, Anália ressalta o estado de paz e que o fundamental na verdade, é o respeito. “Isso não afeta ninguém. Alguns índios casam com não índios, mas isso não tira a nossa identidade.”

Contudo, as adversidades tornam a situação ainda mais difícil. Os recursos da aldeia são mínimos e povo Tuxá vive de maneira de subsistência, com preocupação com o meio ambiente. “O que a gente puder fazer para manter o meio ambiente, nós fazemos. Porque tudo para nós é sagrado. Você não pode tirar uma flor, uma medicina, sem ter a permissão dos guardiões”, conta.

Com brilho no olhar, força e inspiração, Anália ressalta o motivo de sua luta. “O nosso território sagrado onde os nosso ancestrais foram enterrados está debaixo d’água. O povo Tuxá foi obrigado a entregar a própria terra por uma questão de desenvolvimento econômico e geração de energia. Então eu luto porque o Estado brasileiro tem uma dívida muito grande com os povos indígenas do Brasil.”

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