Um painel sem respostas


Por Gisella Hiche

Ontem à tarde rolou o 2º Painel do Encontro de Juventude e Educação para a Sustentabilidade Socioambiental.  Os palestrantes convidados não dialogaram com a proposta de tema do painel, ou seja “ A Agenda da juventude para um projeto de desenvolvimento sustentável”. Na metodologia prevista, os palestrantes deveriam responder a uma série de perguntas levantas pelos jovens nos grupos de trabalho. As perguntas eram:

– Qual é a real situação do programa Juventude e Meio Ambiente?;

– Como a juventude envolvida no contexto de desenvolvimento sustentável participará do processo de efetivação e do controle das deliberações que foram construídas nas três esferas, bem como nas avaliações?

– Como garantir o cumprimento de uma nova  agenda, visto que as anteriores ainda não foram cumpridas, a exemplo das propostas da ECO 92, CNIJMA e Plano Nacional de Juventude?

– Qual o Plano de governo para fazer cumprir essa agenda?

– Como construir uma agenda da juventude para a sustentabilidade em um cenário de retrocessos ambientais (Belo Monte , Código florestal, PAC, Pré-sal) e implementar o Programa Nacional de Juventude pelo Meio Ambiente que visa a formação de sujeitos ecológicos, críticos e transformadores?

 

O primeiro a falar, Alain Borges, da Superintendência de Juventude do Rio de Janeiro, questionou sobre qual juventude está presente nesse encontro: “de que jovens estamos falando? Para que jovens queremos falar?”, pois na opinião dele os jovens no plenário não eram das comunidades que mais sofrem com a degradação ambiental: os jovens de periferia e favelas. No entanto, na mesa da manhã os moradores de favela  presentes nesse encontro tiveram uma participação ativa e questionadora em relação aos critérios para se desenvolver projetos nas comunidades populares. Os moradores relataram que são sempre os mesmos territórios geográficos que recebem projetos e que muitas comunidades ficam de fora.

 

Gabriel Azevedo, do Fórum de Gestores Estaduais de Juventude, trouxe três pontos que considera importante na gestão pública:

– Transparência, ou seja, como os governos disponibilizam para o público dados/ informações sobre seus programas, indicadores etc, seja na internet, no Diário oficial ou outros meios. Gabriel frisou que não bastava apenas disponibilizar os dados, mas a linguagem também precisa ser acessível para qualquer cidadão interessado.

– Royalty com mais justiça. Sobre isso, Gustavo avaliou que é necessário rever como é feita a distribuição de recursos entre governo federal, estadual e municipal, pois avalia que os recursos ficam muito concentrados no âmbito federal.

Entre outras falas, Gabriel contou a historio de um professor universitário chamado Apolo que desenvolve o projeto Manuelzão. Este professor entregou para o então governador de Minas que havia prometido a limpeza de um rio uma sunga para que o governador usasse assim que o rio estivesse limpo. Parece que oito anos depois, o Rio foi limpo e o governador pôde nadar…

Daniel Iliescu, presidente da UNE, assinalou dois pontos que considera essencial para pressionar o governo:

1-      Amazônia, devido à toda riqueza que há lá, não apenas a biodiversidade, mas também a sabedoria da população;

2-      A questão energética, já que o Brasil é o país com maior potencial de energia renovável.

Camila Silveira, conselheira do Conjuve, quis fazer uma fala mais focada na participação política. Ela ressaltou que “ não é só o voto que tem poder transformador” e que “não precisamos do governo para fazer participação política”. Entre as ações que considera importante que o Conjuve empreenda está a rearticulação do Grupo de Trabalho sobre Meio Ambiente.

A fala mais interessante e clara foi a de Maurício Broinzi da Rede Brasileira por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis, que por ter sido a mais relevante ganhará um texto a parte! Leia no site da Agência Jovem de Notícias o texto: “Cidades sustentáveis possíveis”.

Na parte em que a platéia pode fazer perguntas e considerações à mesa, ficou clara a insatisfação dos jovens, pois nenhuma das perguntas específicas colocadas para o painel foi respondida.

 

 

 

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