Ativistas juvenis em conferência sobre a crise climática

UM OLHAR SOBRE A LUTA DE MENINAS PELO MEIO AMBIENTE

Um artigo que discute o protagonismo de meninas em relação à pauta ambiental

Por Antônia Tauanne Rodrigues de Sousa

Na antiguidade existiram deusas cujas histórias faziam um eixo articulador entre natureza e o ser mulher, com a visão dessa última como um ser mitológico, uma deusa (mãe da natureza, mãe da terra, deusa do amor), o que faz constatar um caráter feminista e naturalista, já que estabelecia um paralelo da mulher com a natureza.

Porém, a verdade é que crescemos sob a profecia de falsos salvadores com vozes e vontades intermediadas, sendo foco de expectativas de pais ou maridos que exilavam a nossa participação sob o pretexto de manter-nos protegidas e seguras, e ao primeiro “de quê?”, ter que procurar o avesso de um seco “porquê sim”

Entretanto, a história de opressão também deu ensejo a uma história de lutas. Com isso, com a articulação de movimentos pela reivindicação dos direitos das mulheres, que tiveram início a partir do século 18, foi possível formular modelos de igualdade de gênero. Nos dias de hoje, é possível visualizar uma intersecção entre gênero e meio ambiente, com o surgimento do chamado ecofeminismo, que é a fusão entre as causas feministas e ecológicas.

Desse modo, de espectadoras, meninas lutam pela participação em ambientes de tomadas de decisões. A juventude que até os anos 60 e 70 se mobilizou em torno de ideais socialistas, aliada aos movimentos populares, é diferente da juventude ambientalista de hoje.

Enquanto lutamos pela valorização da cultura, das diversas identidades e da questão ambiental como fatores associados à qualidade de vida, redesenhamos um novo fazer política.

Por meio da internet mostramos nossa capacidade de organização, questionamos o modelo hierárquico e a sujeição a autoridades que não nos representam, e decididamente mostramos que educação não diz respeito somente ao processo de alfabetização, mas à metamorfose do aluno em agente de transformação.

E ainda que falar sobre meninas ambientalistas remeta à imagem da sueca com um cartaz escrito “Skolstrejk for Klimatet”, ou seja, Greta Thunberg, a jovem que tinha 15 anos quando deixou de comparecer às aulas e se sentou diante do parlamento sueco, em agosto de 2018 e proclamou:

Estou fazendo isso porque vocês, adultos, estão cagando para o meu futuro. 

a jovem ativista Greta Thunberg – Imagem: Fotos Públicas

Pode-se dizer que em diversas partes do mundo meninas fazem soar uma voz de indignação, pois percebem mais claramente as consequências de uma elite que não se importa com seu futuro e com as condições que estão criando para as futuras gerações.

Só no contexto das mudanças climáticas, segundo a ONU, mulheres representam 80% do total de pessoas que são obrigadas a deixar seus lares e refugiar-se em outros lugares como consequência das mudanças climáticas.

Vale ressaltar que isso acontece porque as mulheres têm maior probabilidade de viver em condições de pobreza e menor poder socioeconômico. Segundo mostram dados do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) 72% do total de pessoas que estão em condições de extrema pobreza são meninas e mulheres.

Portanto, sob a premissa de que é importante lutar para que a terra não seja tão facilmente martirizada em nome de um capitalismo inescrupuloso e também visando reivindicar condições de igualdade de oportunidades e inclusão (o que não se restringe a questões de gênero, mas constitui em requisito para o desenvolvimento da sociedade como um todo), meninas promovem de greves escolares a discursos nas Cúpulas das Nações Unidas, trazendo aquilo que os adultos parecem ter esquecido copiosamente: não existe um planeta B.

imagem mostra grupo de jovens em conferência sobre o clima
Ativistas juvenis em conferência sobre a crise climática / Fotos Públicas

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