Um espetáculo que aproxima realidades

Foto 4 Cédito Ivan Stieltjes

Carolina Ellmann, da Redação | Imagem: Ivan Stieltjes

Após dois anos de processo de montagem, o Pequeno Teatro de Torneado estreia “Peter em Fúria”, uma releitura de Peter Pan e Wendy (J. M. Barrie), e transpõe os personagens originais do conto para a realidade de uma favela brasileira. Assim, a peça procura brincar com o imaginário do público, que verá um jogo de analogias entre as figuras conhecidas da história infantil com aquelas presentes no cotidiano de uma grande cidade. Com essa nova abordagem, o enredo discute o lugar dos sonhos no mundo atual e, mais especificamente, a visão de jovens que querem fazer arte em meio a uma rotina sufocante e um mundo regido pela lógica do dinheiro.

O espetáculo é um musical criado por 31 artistas, de forma colaborativa, como explica William Costa Lima, diretor do espetáculo: “Muita gente que hoje é colaborador, foi público. O design gráfico, por exemplo, o grupo não possui essa estrutura, ele é composto por uma maioria de jovens, oriundos das mais diversas periferias e regiões da Grande São Paulo e no teatro, isso é uma grande exceção. São pequenas pessoas que se sensibilizam e colaboram para que o projeto aconteça, mas o conceito é trabalhar com essa rede de processos colaborativos”.

O grupo contou que o processo de formação da peça teve seu início quando William foi fazer uma oficina de formação na ETEC de Itaquera. “Ele viu uma oportunidade de tentar montar o texto, com pessoas muito próximas da realidade dele, da juventude dele. William é o diretor do grupo, e ele viu pessoas com histórias tão parecidas com a dele e com tanto para falar, que resolveu montar o espetáculo”.

Perguntamos para a Mari, integrante do grupo, por que as pessoas devem ir assistir a peça. Para ela, “poucos do grupo tem DRT, nem todo mundo é considerado ator profissional, todo mundo trabalha de segunda a sexta e estuda, mas quer fazer teatro. O legal dessa peça é ver gente como a gente atuando. Isso mostra que é possível fazer teatro”.

Já para Beatriz, atriz e uma das primeiras integrantes do grupo, “a importância dessa história na desconstrução individual do conceito de periferia, de burguesia, é muito concreta e é realmente uma aula. É você se permitir assistir um debate desse tema, do que é periférico e o que não é, desconstruir o estereótipo do que é periférico. Eu sou do Bom Retiro, sou classe média e vejo as cenas que o William escreveu, trazendo a atmosfera dele, da vivência na periferia e eu reconheço a minha família, as pessoas se reconhecem”.

O espetáculo está em cartaz no Espaço Redimunho – Rua Álvaro De Carvalho, 75 – Centro – São Paulo – SP.  A temporada vai até 25 de maio e o grupo se apresenta aos sábados e domingos – às 19h.

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