Trump não fará “América Grande” outra vez

Ilaria Mezzacasa e Madalena Lima
Daniele Savietto (Tradução)

O que é interessante sobre a Conferência da Juventude sobre Mudanças Climáticas (COY14) é que temos a oportunidade de conhecer cidadãos do mundo e descobrir o que eles fazem para enfrentar a questão das mudanças climáticas.

Entrevistamos Rock Aboujaoude Jr., um jovem do Campus Climate Corps, movimento que organiza intercâmbios para estudantes de todo o mundo. Os estudantes que vão para os EUA estão envolvidos em projetos locais, como um estágio. Assim, seu trabalho não será apenas útil para si, mas também para a comunidade local.

A política climática do presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, é bastante clara. Por essa razão, queríamos entender melhor a posição americana em relação às mudanças climáticas e o que o Campus Climate Corps está fazendo para enfrentar o aquecimento global.

 

Por que você decidiu vir para a COY14?

Apenas para trabalhar e interagir com estudantes de todo o mundo. Trabalhar em nível internacional com pessoas que têm um histórico diferente é uma oportunidade única que não aparece com frequência nos EUA.

 

Como a juventude americana concebe a questão das mudanças climáticas?

É uma questão difícil, porque somos 50 estados. Os problemas da Flórida, por exemplo, podem não corresponder aos do estado de Nova York ou da Virgínia. De qualquer forma, o americano médio sabe que as mudanças climáticas existem, mas não está disposto a fazer algo a respeito. Vejam o caso da empresa Amazon: seu CEO, Jeff Bezos, está capitalizando consumidores que preferem comprar rápido e pagar menos, ignorando os impactos ambientais de seus consumos.

É claro que isso faz parte da cultura americana e para isso mudar, precisamos ter não apenas pessoas ativas e determinadas, mas também uma comunidade internacional que esteja pronta para colaborar para que os americanos entendam que podem agir individual e coletivamente em prol do meio ambiente.

 

Não podemos evitar perguntar algo sobre Donald Trump. Como você avalia suas políticas climáticas?

Eu resumiria em uma citação: “Não torne a América grande outra vez!”. Para tornar a América grande novamente, não importa quem seja a pessoa, ele ou ela tem que reconhecer que as mudanças climáticas estão aí e têm que ser enfrentadas o mais rápido possível.

 

Mas estamos falando do presidente dos Estados Unidos. Até que ponto ele pode influenciar as políticas de cada estado de seu país?

Posso dizer-lhe que há muitos movimentos e organizações sociais, incluindo o do Campus Climate Corps, que estão se esforçando para que cada estado da federação americana possa assinar o Acordo de Paris individualmente. Desta forma, a decisão seria tomada por um estado singular e não pela Nação.

Certamente, Trump é um catalisador, alguém que representa a América; no entanto, os cidadãos estão reconhecendo o problema e estão cientes de que temos que fazer a nossa parte para resolvê-lo.

 

Para esta COP, de que maneira os EUA participarão? O que você espera da participação do seu país nas negociações?

Os EUA serão representados por empresas que estão fazendo a transição para a energia verde. Em outras palavras, empresas que querem que seus investidores sejam felizes, investidores que agora exigem que suas empresas comecem a investir em recursos climáticos e verdes. Então, as empresas que vão aparecer na COP são empresas que costumavam poluir, mas agora não estão. Isso é interessante porque, de qualquer forma, essas empresas estão se comportando de maneira a satisfazer os desejos dos consumidores: eles sabem que, se querem ganhar mais dinheiro, precisam fazer as pessoas felizes. Os EUA serão representados, infelizmente de novo, por uma perspectiva baseada no consumidor.

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