Terra, planeta água!

Como a Década dos Oceanos se relaciona com questões de gênero?

Por Rayana Burgos

Em 2017 a ONU declarou que a década que vai de 2021 até 2030 seria considerada a “Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável”, ou seja, é um período em que tanto a ciência quanto a política (principalmente a política climática) devem caminhar juntas para fortalecer a gestão dos oceanos e das zonas costeiras em benefício da humanidade. 

Os oceanos cobrem mais de 70% da superfície da Terra e contém 97% de toda a água do planeta. Eles influenciam no clima, estabilizam a temperatura e providenciam um lar para a maior diversidade de espécies do mundo. 

Proteger os oceanos já faz parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) apresentados pela Agenda 2030. O objetivo 14, chamado “Vida na água”, reforça que os oceanos são responsáveis por garantir que a Terra seja um local habitável. 

Os ODS garantem o gerenciamento sustentável e a proteção dos ecossistemas marinhos e costeiros, assim como combatem os impactos da acidificação dos oceanos. Intensificar a conservação e o uso dos recursos marítimos por meio de leis internacionais também irá colaborar com a mitigação dos desafios para alcançarmos oceanos limpos e sustentáveis.” 

A Década dos Oceanos colocará, entre outros temas, o destaque em 3 grandes áreas que impactam nas questões de gênero: a gestão hídrica e a qualidade da água, os aspectos econômicos dos ecossistemas marinhos e a governança das águas internacionais. 

Em 2018, 1 a cada 4 brasileiras não tinha acesso adequado aos serviços de saneamento básico, afetando a saúde e a qualidade de vida delas. Esse dado se tornou ainda mais alarmante quando, em 2020, foi destacado que 1 em cada 10 domicílios ainda despeja os resíduos diretamente na rua ou na natureza, seja em valas, rios ou no mar. 

A falta de uma gestão hídrica nas cidades afeta não somente as condições ambientais, como também impacta na qualidade de vida daqueles que dependem do mar. Quando o mar é considerado o destino final dos resíduos, há um prejuízo em larga escala. 

Os ecossistemas marinhos são essenciais para garantir alimentação, lazer e turismo, movimentam a economia e geram renda. Em todo o mundo, as mulheres representam 47% dos trabalhadores no setor pesqueiro, principalmente na pesca em pequena escala e na pesca artesanal, ao mesmo tempo em que são as mais expostas à degradação ambiental.

Vida marinha / Imagem de Pexels por Pixabay

A relação entre gênero e oceano também passa por aspectos da governança da água, uma vez que as mulheres ainda são minorias na tomada de decisão sobre gestão dos recursos hídricos. As mulheres estão sub-representadas em cargos de alto nível nos Ministérios de água e de obras públicas e de relações exteriores, por exemplo. Dos 193 Estados Membros da ONU, apenas 12% de Ministros, em 881 Ministérios Nacionais do setor ambiental, são mulheres

“A não existência de uma gestão inovadora sobre a governança da água passa sobre as desigualdades de gênero.” 

Dessa forma, adotar questões de gênero na gestão hídrica das cidades, considerar os impactos econômicos na mulher e expandir a governança feminina é necessária para gerar resultados mais justos e sustentáveis. A década dos oceanos é fundamental para relembrar que a sociedade e a natureza estão interconectadas. Inserir abordagens inclusivas, que garantam a representatividade de gênero, de raça e o respeito aos direitos humanos é a onda do momento. 

Chegou a nossa vez de mergulhar! 

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