Tereza de Benguela, símbolo da luta das mulheres negras

Tereza de Benguela, a Rainha Tereza, foi uma líder quilombola que desafiou o sistema escravocrata no Brasil do século XVIII, liderando o Quilombo do Quariterê, na região onde hoje é o Vale do Guaporé, no Mato Grosso.

Tereza de Benguela assumiu o comando do Quilombo Quariterê após a morte de seu companheiro, José Piolho. Ela coordenava a estrutura política, econômica, administrativa e social da comunidade, que contava com mais de 100 pessoas, entre negros e indígenas.

Durante ao menos duas décadas, Tereza garantiu a resistência do quilombo adotando uma espécie de parlamento e com a criação de um sistema de defesa, além de coordenar o cultivo de alimentos como milho, feijão, mandioca e banana, além do algodão, que era usado para produção de tecidos.

O Quilombo do Quariterê resistiu até o final do século XVIII. Existem dois relatos sobre o destino da Rainha Tereza: no primeiro, ela teria sido assassinada pelo Exército; no segundo, ela teria se suicidado ao ser capturada pelo exército português.

Desde 2014, o dia 25 de julho é o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. A data é um símbolo de resistência das mulheres negras, instituído pela Lei Ordinária 12987/2014. No texto do projeto, Tereza de Benguela é reconhecida como um exemplo que “serve de espelho para as mulheres negras que continuam a lutar contra um contexto adverso e discriminatório”.

Apesar da decisão de dedicar a data à Rainha Tereza, sua história ainda sofre apagamento pelo sistema e estrutura racista herdados do tempo colonial. Reconhecer a importância da sua história, atuação política e resistência é inspirar a existência, as lutas e a força das mulheres negras e de todo o povo preto do Brasil.

O dia 25 de julho é marcado também por ser o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-americana e Caribenha, uma referência ao 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, que aconteceu em 1992, na República Dominicana. O evento foi organizado para mobilizar e dar visibilidade à luta das mulheres negras contra a opressão de gênero, a exploração e o racismo na América Latina, e das discussões geradas foi criada a Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-Caribenhas. 

A Rede articulou junto à ONU o reconhecimento do dia 25 de julho como o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha.

Referências: Portal Geledés, ONU Mulheres, Oxfam e Jornal Brasil de Fato.

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