A tatuagem existe há mais de três mil anos e ganha cada vez mais adeptos

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Maria Camila Florêncio e Sâmia Pereira | Imagem: Flickr Wiros 

Não é raro encontrar alguém por aí que tenha alguma tatuagem. O que pouca gente sabe é que a prática de fazer imagens ou escritas no corpo possui registro arqueológico datado de 4000 anos a.C, pois muita múmia já foi encontrada com diversos rabiscos pelo corpo.

Apesar dessa antiguidade, as tattoos só foram cair no gosto da galera lá pelos anos 1970, quando jovens tatuavam os rostos de personalidades e astros do rock que curtiam. Nesse período, a tatuagem teve um aumento tão grande de popularidade que o número de estúdios nos Estados Unidos subiu de 300 para mais de quatro mil.

No Brasil, a tatuagem começou a pegar em 1959. Escolhendo a cidade de Santos (SP) para morar, o dinamarquês Knud Harld Likke Gregersen foi o primeiro a trazer uma máquina elétrica para fazer tattoo no País. O problema é que o estúdio do tatuador encontrava-se nas proximidades do cais, zona de boemia e prostituição – o que acabou disseminando diversos preconceitos e, inclusive, a discriminação da atividade.

Entretanto, a tatuagem também passa a ser reconhecida como arte, graças as iniciativas dos tattoo clubs (clubes de tatuadores) de todo o mundo que promovem exposições, competições entre os melhores trabalhos e realizam convenções para a atualização e modernização dos métodos de aplicação.

De tatuado a tatuador

Escondido. Foi assim que Rodrigo Nai, de 21 anos, fez sua primeira tatuagem, na época com 16 anos. “Na época, minha mãe não deixou. Tive que esperar até completar 18 anos”, conta. Feita a primeira tatuagem, ele não parou mais. Hoje tem seis tatuagens, cada qual relacionada a um fato importante de sua vida.

Expulso de casa pelo pai militar no final da adolescência por fazer uma tatuagem, Jaymesson Santos, saiu de Recife (PE) para ir a São Paulo (SP), onde por talento e intuição começou a trabalhar em estúdios de tatuadores até conseguir ter o seu próprio espaço. Conquistou um sucesso relevante na capital, sendo reconhecido por muitos tatuadores. O mesmo caminho foi trilhado por Marcelo Max, hoje com 40 anos, que resolveu fazer sua primeira tattoo em uma época em que poucos tatuadores tinham os instrumentos necessários para o trabalho. “Aos 15 anos, eu via uma galera se tatuando, sem nem saber desenhar, construindo as próprias máquinas”, conta.

Os três tatuados, apaixonados por desenho, viram no hobbie uma profissão. Marcelo teve que correr atrás da galera que começava a exercer esse tipo de atividade na cidade de São Paulo, um mercado novo e bastante competitivo. “Quando comprei uma máquina para começar, tive que me virar pra montá-la sozinho. Pedir informações também era complicado, já que alguns tatuadores chegavam até a passar nomes errados de tinta para tatuagem”, conta. Para Rodrigo, que já comprava revistas sobre o tema, aprender a tatuar foi mais fácil. “Como eu parecia interessado sobre o assunto, recebi o convite para um curso de tatuagem no próprio estúdio em que tinha me tatuado”, diz.

Quando questionados sobre preconceito, os dois afirmam categoricamente: ainda existe, e com frequência. “Sei que as coisas evoluíram e que hoje as pessoas não dizem que tattoo é coisa de ‘bandido’, mas existe uma visão marginalizada. Para trabalhar, por exemplo, ainda tem algumas restrições. A maioria dos lugares que aceita funcionários tatuados é ligado a algum esporte”, conta Rodrigo.

Para sempre

Em alguns Estados do Brasil, como Alagoas, Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo, é proibido fazer tatuagens e colocar piercing em jovens com menos de 18 anos. Além disso, outros cuidados devem ser tomados antes de optar por uma tatuagem permanente. É importante verificar se o estúdio escolhido tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para funcionar. Leis também determinam que esses estabelecimentos tenham o local limpo e arejado, que usem materiais descartáveis (luvas, lâminas e agulhas) e que sejam abertos e esterilizados na frente do cliente.

Todas essas recomendações são para evitar a transmissão de doenças, como aids, hepatite B e C. Os profissionais de tatuagem também estão proibidos de receitar qualquer tipo de medicamento, como anestésicos e pomadas (se for o caso, consulte um dermatologista), mas deve fazer a orientação dos cuidados e precauções necessárias após a tatuagem, como higienização e alimentação corretas.

Porém, a discussão excede o campo jurídico e de saúde. Marcelo afirma que muitas pessoas fazem tatuagem por simples modismo. “Muitas vezes, vem uma galera empolgada no estúdio. São pessoas que, por vezes, nem sabem o significado do que irão tatuar, ou se realmente querem carregar aquele desenho símbolo para o resto da vida”, finaliza.

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Esta matéria foi publicada originalmente na edição nº 70 da Revista Viração, nas páginas 8 e 9. Confira a edição completa clicando aqui!

 

Bruno Ferreira
Jornalista, professor e educomunicador. Responsável pelos conteúdos da Agência Jovem de Notícias e Revista Viração.

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