Instalação no SESC Paulista reúne artistas e promove debates sobre gênero, raça e classe

Por Wesley Matos, Carla Andrade e Jonathan Moreira, da Agência Jovem de Notícias de São Paulo

Avenida Paulista, cartão postal da cidade de São Paulo e berço da pluralidade cultural e artística existente, recebe a nova unidade do SESC depois de 8 anos em reforma. A programação de inauguração acontece nos dias 29, 30 e 01 de maio e traduz o caráter múltiplo da maior e mais diversa avenida da América Latina pautando arte, corpo e tecnologia.

E corpo é o que não falta na instalação Explode! Paulista, do coletivo Gleba do Pêssego. A proposta dá continuidade às ações da plataforma Explode!, instaurando um espaço processual de aprendizagem, celebração e encontro, baseado em práticas de artistas e coletivos de dança, música, poesia, performance, moda e visualidades. “A gente pretende como plataforma ativar conteúdos, pessoas, coletivos que trazem as questões do corpo na cidade e que discutem o que é a presença do corpo negro, do corpo trans, do corpo LGBT, ou mesmo dos corpos periféricos nessa dinâmica da cultura e da arte na cidade”, conta o artista, pesquisador e curador João Simões, um dos idealizadores da plataforma. 

Entre as ações da instalação está a oficina de Voguing, realizada pelo pesquisador, professor e coreógrafo de danças urbanas Félix Pimenta, que propõe a dança como forma de expressão tecnológica, indo além da normatividade e tendo outras possibilidades de diálogo, estética e cultura. A modalidade surgiu na década de 80 entre a comunidade afro-americana e latina de Nova York e, desde então, acolhe, fortalece e empodera a comunidade LGBTQ.

Os movimentos da dança imitam poses típicas das performadas em ensaios fotográficos, o que inspirou o nome voguing, uma referência à revista de moda Vogue. “O vogue é uma dança que dá liberdade, é construída através da perfomatividade de gênero e sexualidade e dá muitas possibilidades corporais. É pensar nessa diversidade de corpos e de expressão que vão muito além do que a gente já tem como pré-definido’’, explica Félix.

Ao final dos três dias, será criada uma peça audiovisual gravada a partir das ações promovidas pelos diferentes artistas que compõem a intervenção, estabelecendo debates em torno de questões de gênero, raça e classe, tendo em conta ainda questões geracionais e de imigração.

Este texto é resultado da cobertura educomunicativa da inauguração do SESC Avenida Paulista, realizada por adolescentes e jovens do projeto Agência Jovem de Notícias e da Viração Educomunicação, em parceria com o Sesc São Paulo. A ação conta com a participação de doze adolescentes de toda a cidade,  com o apoio de profissionais da Viração.