Manicure e política: pintar a unha te define?

| Por Kauanne Santos e Karen Samyra, da Agência Jovem de Notícias |

Lyz Parayso é uma transsexual, artista plástica, de 23 anos de idade. Formada em artes visuais, também é educadora, performer, graduanda em teatro e membro do Coletivo Seus Putos, que utiliza a manicure como uma estratégia inovadora para reconfigurar as tecnologias heteronormativas que circunscrevem nossos corpos.

A especialidade de Lyz é borrar as fronteiras do que é oficial, adentrando as galerias de artes com intervenções estético-políticas. “Nossos corpos são sempre educados a ter uma performance heteronormativa, então quando você sai deste lugar, sofre retaliações”, comenta.

Oficina Manicure Política, na inauguração do Sesc 24 de Maio

O Salão Parayso, projeto de sua autoria, já existe há um ano e foi uma das atrações da inauguração do Sesc 24 de Maio neste domingo (20). Ele é itinerante e se adapta à estrutura do lugar onde a performance acontece, pois um dos intuitos é alcançar o maior número de pessoas.

Um dos motivos da artista ter criado o projeto, foi o fato de que pintar as unhas foi um dos primeiros processos em sua transição para uma mulher transsexual. O público participante das intervenções é convidado a pintar as unhas de cor-de-rosa, mas mais que simplesmente pintar as unhas, a artista nos leva a repensar nossos conceitos enquanto seres humanos. O esmalte implica na sexualidade de uma pessoa? Será que pintar ou não a unha define o que você é?

 

Este texto é resultado da cobertura educomunicativa da inauguração do Sesc 24 de Maio, realizada por adolescentes e jovens do projeto Agência Jovem de Notícias e da Viração Educomunicação, em parceria com o Sesc São Paulo.