[POEMA e OPINIÃO] Trabalho infantil doméstico é ignorado

Dayana Silva (PA), adolescente comunicadora em Brasília; e Rose Veloso (PB), colaboradora da AJN em Brasília

Infelizmente, no mundo todo, ainda há crianças e adolescentes trabalhadoras domésticas. As meninas são a maioria nesse tipo de trabalho  e na África se encontra o maior número de crianças nessa situação. Mas todos os países e indivíduos têm responsabilidade combinada de erradicar esse tipo de trabalho. Na maioria das vezes é um trabalho invisível, porque acontece no interior das residências e está associado à cultura de que é preciso fazer para aprender.

Aprender a cuidar da casa, limpar, cozinhar, arrumar o quarto entre outras tarefas é preciso, tanto para meninas quanto para meninos. Porém, as crianças não devem fazer as tarefas no lugar dos adultos e, se for pra fazer, que seja com o adulto e em situações que não causem riscos.

Além disso, por trás do trabalho infantil doméstico se escondem outras violações de direitos como acidentes de saúde, falta ou abandono da escola e violência sexual e gravidez na adolescência.

Inspirada nessa discussão, a adolescente maranhense Laisnanda da Silva de Sousa, de 17 anos, escreveu o poema e o depoimento que você lê abaixo:

Criança Inocente

Não me conformo com o choro

Daquela inocente criança

Que trabalha o dia todo,

Que já perdeu a esperança.

Que não estuda e só trabalha

Que não sabe ler nem escrever

Que já não tem mais futuro

Que se esqueceu de viver.

Queria que ela estudasse,

Parasse de trabalhar

Passasse a sorrir e cantar

Brincar, ler, dançar

Queria que fosse um médico

Ou talvez um professor

Que tivesse muitas metas

Que se tornasse um bom “senhor”

E o futuro desta criança está em nossas mãos

Depende de cada um de nós

Quem será este cidadão.

Quando uma criança trabalha, não está perdendo somente a infância, mas também perdendo seus sonhos, sua felicidade, seu futuro… Fico muito triste em saber que enquanto eu estudo, brinco, danço, canto, sou feliz, há crianças no mundo todo que não conseguem e não podem abrir um sorriso, que não conhecem o A-B-C, que tiveram e tem os seus sonhos destruídos, quebrados, levados dos seus pensamentos… Imaginem só: uma criança, que está apenas começando a vida, que é uma ‘sementinha’, ser obrigada a fazer coisas que apenas os adultos sabem fazer, ser forçada a amadurecer precocemente… São crianças, apenas crianças que só querem ser felizes.”