Falar de sexualidade é tabu e a temática é censurada nas redes

Precisamos falar sobre sexo! E também sobre gênero, diversidade, entre outros temas que falamos pouco por serem tabu.

Essas temáticas são pouco discutidas não apenas porque as pessoas não querem falar sobre elas, mas porque muitas vezes não podem. Por exemplo, se você é mulher cisgênero, está com cólica menstrual e reclama disso abertamente no trabalho, ou até na faculdade, você pode receber olhares de reprovação, mas se reclamar de uma dor de cabeça, essa repressão dificilmente aconteceria.

Na internet, os tabus perpetuam. Recentemente, a Revista Viração passou por um caso de censura de conteúdo na plataforma de publicação digital, Issu. A última edição da revista, que trata de saúde sexual, foi categorizada pelo site como conteúdo impróprio para menores de 18 anos.

A revista não contém imagens de nudez, não tem vocabulário chulo, não incita violência, consumo de drogas ou nada do tipo, apenas discute gênero, prevenção, DST, entre outros assuntos relacionados à sexualidade, como forma de promover saúde sexual e desnudar tabus. O Issu, porém, não colaborou.

Página de bloqueio do conteúdo da Revista Viração no Issuu

 

Revista Viração ed.111 sobre saúde sexual

Outras pessoas já passaram por situações parecidas na internet. Em 2015, as paquistanesas Rupi Kaur e Prabh Kaur, produziram um ensaio fotográfico chamado “Period” (menstruação em inglês) e decidiram postar no Instagram. As fotos não apresentavam nudez, apenas manchas de sangue deixadas por menstruação, mas a rede social bloqueou a conta das artistas por conteúdo impróprio.

Rupi acredita que essa não seja a real razão da censura. Ela argumenta que imagens de mulheres peladas “passa sem problemas nas redes sociais, especialmente no Instagram. (…) O problema é que a menstruação é um tabu na nossa sociedade”, afirmou em entrevista à BBC.

imagem do ensaio “Period”, censurada
imagem do ensaio Period

Também sofreram censura por tabutização, diversas mulheres que quiseram postar fotos de seus peitos nus no Facebook e Instagram. Imagens com mamilos femininos foram retiradas das redes também por serem impróprias segundo o padrão dos usuários. Porém, mamilos masculinos passam livremente pelas timelines, assim como corpos de mulheres extremamente sexualizados. Para criticar essa tabutização, um coletivo de mulheres, chamado AzMina, criou a campanha #MamilosLivres, na qual imagens de mamilos, tanto masculinos quanto femininos, são espalhadas pelas ruas e redes.

mamilos masculinos e femininos na campanha “Mamilo Livre”

O objetivo do ensaio Period, assim como da campanha #MamilosLivres e da Revista Viração, era desnudar temas pouco discutidos, mas as iniciativas foram censuradas, perpetuando o tabu. Os danos da tabutização vão além do simples silenciamento de temas, podendo resultar em problemáticas sociais, principalmente no caso da sexualidade.

Se ninguém falar de sexo, como vamos saber nos prevenir? Se ninguém falar de menstruação, como vamos nos sentir nos dias de TPM, ou nos apropriarmos de nosso próprio corpo? Se ninguém questionar a repressão ao corpo feminino, como vamos tratar da saúde da mulher? A tabutização causa repressão. E precisamos nos libertar! Vamos falar de sexo, de gênero e diversidade, sim!