Uma economia onde a solidariedade define as regras

Por: Webert da Cruz, Virajovem de Brasília

Como conviver com as mudanças climáticas na atual perspectiva econômica vigente? A humanidade tem cada vez mais se proposto a refletir sobre essa questão e a criar maneiras mais sustentáveis de se desenvolver e estar no mundo. Economia significa “cuidado com a casa”. E a economia solidária surge como uma alternativa para cuidarmos melhor do nosso planeta.

Compreendida como uma estratégia pós-capitalista de construção social, a economia solidária se baseia a partir de três princípios – cooperação, autogestão e solidariedade. Diferente de outros valores tão comuns que se percebe nas sociedades como a competição, a hierarquização e a disputa. Uma experiência em economia solidária consiste também em ser uma atividade econômica. Seja de produção, prestação de serviços, beneficiamento da produção, crédito, comercialização ou consumo. Essa outra perspectiva econômica cresce pelo mundo em diversas experiências, das mais variadas formas, com sucessos e desafios.

A economia solidária é uma realidade. Ela está acontecendo em cooperativas, associações e grupos informais. Todos são donos, dividem responsabilidades, obrigações e também os ganhos e perdas geradas pelo trabalho coletivo. Uma estratégia de desenvolvimento sustentável que considera todas as dimensões: econômica, social, cultural, ambiental, política.

Central de Comercialização de Economia Solidária no MS expõe produtos de agricultores familiares, grupos de artesãos e comunidades indígenas

O Planeta Terra tem dado respostas às explorações que têm recebido. A balança da “Mãe Natureza” cobra seus resultados a partir dos estragos causados pela humanidade. Estamos reféns de um sistema que promove e prega a competição, acúmulo e consumo desordenado. E uma vez que tudo se transforma em recursos para obtenção pura simplesmente para o lucro, a natureza e o próprio trabalho humano se capitalizam, abrindo brechas para violações de direitos humanos e exploração irresponsável dos recursos naturais. Entende-se também nesse processo exploratório as enormes desigualdade sociais, no qual uns ganham muito mais do que outros, promovendo uma lógica de que isso é normal e necessário. Para algumas pessoas, a pobreza dá lucro.

Apesar de a economia solidária remar contra o tsunami do capitalismo, no Brasil existem diversas experiências na perspectiva da solidariedade que funcionam. Seja na gestão de um empreendimento ou grupo, em produções coletivas ou na comercialização justa e solidária de produtos e serviços.

Em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, por exemplo, uma grande experiência alimenta a realidade da construção de um mundo melhor é a Central de Comercialização de Economia Solidária. “Esta experiência contribui para o desenvolvimento local das comunidades à medida que possibilita a comercialização de produtos oriundos da agricultura familiar, comunidades tradicionais indígenas, grupos de artesanato, costura, alimentação e prestação de serviços que se organizam dentro dos princípios da Economia Solidária, desta forma a central de comercialização do MS é um espaço que promove a venda e a educação para o consumo consciente, o comércio justo e a produção limpa, orgânica e agroecológica em busca de relações mais éticas vislumbrando o bem viver” diz Rodrigo Nantes, educador popular participante da experiência. A economia solidária se configura alternativa, resta maior compreensão de que o consumo muda o mundo.

 

* Essa matéria foi publicada originalmente na Revista Viração edição 109