Entrevista com os jovens da comunidade indígena Xokleng

Durante a cobertura do Seminário de Justiça Socioambiental conversamos com  Edson Noilli Potie de 30 anos e Joacir Noilli Potie que são jovens da comunidade indígena Xokleng, que estão realizando um projeto tem feito a diferença na aldeia. Vamos conhecer um pouco desta história.

Que projeto vocês estão realizando?

Nós somos da tribo dos Xokleng, do Vale do Itajaí (SC) e  estamos realizando um trabalho feito por mais de 50  jovens da nossa tribo. Tivemos a ideia e compartilhamos para que todos contribuíssem com o nosso projeto e contamos com o apoio do COMIM e da Associação Kute Kaké  para realizar a ação. Nossa ideia é criar um vínculo entre os jovens que estavam abandonando a tribo e perdendo as raízes culturais da nossa história. Hoje temos uma trilha com diversas atividades. Na última semana recebemos um grupos de alemães que conheceram a trilha.

Por que vocês criaram esse projeto?

Nós não tínhamos um local de lazer, uma atividade para unir os jovens e um atrativo,  por isso criamos a trilha que é uma oportunidade de divulgarmos nossa cultura e conhecer outras culturas, e também uma maneira de cuidar do ambiente onde vivemos.

Como funciona a trilha?

Para a realização das trilhas nós fizemos um curso de guia turístico para encaminharmos os convidados pela trilha. No dia da visita nós percorremos 1800 metros  no meio da Mata Atlântica, nas nascentes do rio Benedito. No final  o grupo é levado para conhecer a cabana Xokleng, onde realizamos uma confraternização com cantos, histórias e comemos uma comida típica da nossa tribo, o capung.

O que vocês esperam desse projeto?

Hoje nós não cobramos para realizar as trilhas. Elas servem como lazer e futuramente esperamos que vire uma fonte de renda e também queremos repor todas as árvores que foram tidas  na área da trilha para cuidar do nosso espaço. A maioria dos indígenas hoje vive da caça e da pesca. Estamos ficando sem a floresta e queremos nosso espaço de novo, também queremos ensinar isso para as pessoas que fazem a trilha.

Vocês realizam outros projetos?

Temos um projeto de recuperação de árvores nativas,  também estamos produzindo mudas e  temos um viveiro que foi criado com participação de todos da tribo, em parceria com o projeto Carbono Social em Rede do Centro Vianei, e também temos um projeto de replantio de árvore em áreas devastadas próximas a nossa tribo.

Quais são os maiores aprendizados de vocês?

Aprendemos a importância do solo para nós  e para os outros seres vivos que também vivem na floresta e a importância dos jovens na tribo. Nós que damos continuidade na história da nossa origem.

Douglas Moreira e Joaquim Oliveira Moura (RS), Danuse Queiroz (DF) e Reynaldo de Azevedo (MG), da RENAJOC e da Agência Jovem de Notícias