Opinião: Sabedoria jovem

Por  Diego Marcell é bacharel em Teologia, tem quatro livros publicados e atuamente trabalha em um Sebo

Como nascem os sábios? Um dos adjetivos de sabedoria é prudência, outro é qualidade de sabedor, nos grandeslivros de referência do pensamento mundial percebemos que sabedoria não está necessariamente ligada à experiência, então cheguei a conclusão que ela habita na percepção.

A partir desta análise podemos afirmar que este atributo que estamos tratando não depende de classe social ou acesso cultural, apesar de que o acesso faz com que o indivíduo prolongue muito seu caminho quando equiparado aos que não possuem tal possibilidade, mas estar próximo da genialidade e de seus lapsos não é algo tão distante assim, infelizmente a sociedade acaba, muitas vezes, sufocando os seus prodígios por ser ela a junção do insucesso, se falamos a partir do Brasil não seria nada absurdo fazer esta declaração que eu adoraria não fazer, mas diante da nossa sempiterna reivindicação política fica natural que assim seja expressado.

Vejo que os bairros mais afastados, as comunidades carentes e as cidades do interior (de onde eu venho, sou de uma cidade paranaense chamada Rio Negro que fica na divisa do estado com Santa Catarina) são as vias que mais agridem nossos jovens, porque comumente já existe a ideia de que não se entende a juventude, mas em grande parte é porque as gerações anteriores não conhecem o contexto que seus filhos estão inseridos. Posso me colocar junto de todos estes jovens ao ter, muitas vezes, os desejos interrompidos em nome de uma exigência social restrita. Quando eu queria escrever e tinha que ficar exilado em meu quarto sem poder expor e não ter a quem expor o que eu pensava, mas como podem ver hoje estou escrevendo para vocês, para seus pais, para seus amigos, para seus professores, enquanto muitos de meus professores diziam que eu não seria nada. Isto ocorre porque aqueles que nos criam pensam em nós não como indivíduos, mas como um coletivo, onde precisamos corresponder as opções de outros, Bertrand Russel já disse: “O defeito fundamental de um pai é o desejo de que os filhos sejam um crédito para ele”; mas o dialogo deve ser reciproco, é preciso informar-lhes também seus anseios, a questão que deve existir para que a convivência pacifica entre jovens e os seus precedentes seja efetiva apesar de tudo, deve ser o da compreensão do papel individual que cada ser é destinado, ao ter isto em mente a tendencia é a aceitação, o que pode facilitar a convergência da preparação antecipada da pessoa para seu papel na sociedade.

Podemos encontrar vários exemplos que conquistaram cedo seu sucesso profissional porque tinham certeza do que faziam. Nós temos Glauber Rocha o cineasta que aos 20 anos já distribuía um discurso profundo sobre a cultura brasileira e que aos 24 fazia uma das maiores obras primas do cinema mundial que é “Deus e o diabo na terra do sol”; temos Noel Rosa que muito cedo fez sambas que são clássicos até hoje, como “Com que roupa” aos 19 anos; ou Caio Fábio que adolescente pregava na escola e que foi levado pela universidade para ser estudado. Para citar apenas três como exemplo de que a sabedoria pode se manifestar em qualquer lugar e qualquer situação.

Devemos prestar atenção que sabedoria não é conhecimento, as vezes chamamos alguém que possui muito conhecimento de ‘inteligente’, mas a sabedoria está ligada a razão, nota-se em bebês, em crianças, em pré-adolescentes, por isso eu a coloquei de forma abstrata na percepção, pois ela apresenta a percepção que a pessoa tem em interpretar o mundo.

As pessoas que vencem neste mundo são as que procuram as oportunidades de que precisam. Quando não as encontram, as criam.” (John Leigton)

A juventude que encontra sua identidade e esta permanece atrelada ao respeito e às virtudes, então são estes jovens que interferem positivamente no planeta, mesmo porque se a próxima geração não se comportar assim apenas cometerá injustiças com o devir da mesmo forma que à aqueles que tanto reivindicavam. Afinal não somos o principio, mas a continuação de um todo, parafraseando um filosofo francês chamado Bernard-Henri Levy podemos dizer que o mundo está assim porque anda frequentando muito as manifestações e pouco as bibliotecas, o jovem que consegue encontrar em bons livros sua continuidade histórica este consegue exercer melhor seu papel social, já que “se queremos falar do futuro, temos que enfrentar o passado” (Bono Vox), então faremos ter conteúdo este mundo contemporâneo e cheio de novas ferramentas e virtualidades de ação que exige novos representantes que se manifestem com coerência, nós sabemos que há produção orgânica de jovens para isso.