Diálogo sobre enfrentamento

Encontro de saberes e fazeres discute a questão do enfrentamento das drogas

A zona oeste de São Paulo é palco de importantes debates na sede da Fundação Nacional de Artes (Funarte). O evento Respostas Comunitárias – Encontro de Saberes e Fazeres, organizado pela ONG Lua Nova, que trabalha com as questões dos direitos da mulher, reúne diversas autoridades e membros de comunidades e organizações nacionais e internacionais na manhã desta terça-feira (20/03). Mais de cem propostas foram inscritas para participar do encontro, das quais foram selecionadas 42.

Na mesa de abertura, autoridades e especialistas apresentaram dados e ações realizadas no campo do enfrentamento às drogas. Estiveram presentes neste momento José Florentino dos Santos Filho, presidente do Conselho Municipal de Álcool e Droga do Município de São Paulo (COMUDA); Renata Maria Soares , advogada membro do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas de São Paulo (COED); Maristela Monteiro, assessora para álcool e drogas da Organização Panamericana de Saúde(OPAS); Javier Sagredo (CICAD/OAS); Nara Santos, membro do escritório da ONU sobre Drogas e Crimes (UNODC); e Paulina Duarte, membro da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas.

Nara Santos dá início às falas, compartilhando dados de um relatório da Junta de Fiscalização de Entorpecentes da UNODC, que propõe uma reflexão sobre drogas ilícitas e coesão social. Para ela há muitos ”fatores que contribuem para o esfacelamento da coesão social e o surgimento de vários problemas em que a droga e o crime são parte deles”.

Na sequência, Javier Sagredo elenca alguns dos objetivos do CICAD/OAS. “Queremos ver quais são as experiências que acontecem em todo o continente. Queremos mudar os atuais paradigmas sociais, e temos que ver quais os esforços a própria comunidade está fazendo”, comenta o participante que acredita que é necessário que haja um trabalho no âmbito internacional para o enfrentamento das drogas.

Maristela Monteiro destaca que uma das prioridades da OPAS é colocar a saúde no centro de todas as políticas de todas as nações. ”O impacto de controle de ofertas tem que ser observado. É uma prioridade que a saúde pública não reflita apenas nas médias. Isso implica em proteger os direitos humanos e trabalhar com as populações que saem das médias, das estatísticas em geral, como os indígenas , os sem terra e os próprios usuários de drogas”.

Já José Florentino aborda as ações do município de São Paulo no combate às drogas. Para ele, um das medidas mais importantes é separar o traficante do usuário, o que considera um trabalho longo, difícil e de longo prazo. Ele ressalta a importância da abordagem dos usuários e da inibição policial dos traficantes. Ele afirma que desde o início do trabalho do Conselho, houve 38 mil abordagens, um número que não representa uma vitória na questão. Para ele, ainda há muito a ser feito, mas destaca que, da parte do município, não há internação compulsória de dependentes químicos na cidade.

Renata Maria Soares explica que a Coordenação de Políticas sobre Drogas do Estado de São Paulo foi criada para conhecer o enfrentamento no município. Ela considera que a participação no evento é uma importante oportunidade para conhecer como as comunidades têm lidado com o problema em âmbito local. “Essa integração de saberes é importante, porque a questão de drogas é uma questão de saúde, de justiça e de direitos humanos. É preciso criar mais conselhos municipais de políticas sobre drogas. Apenas cem dos  645 municípios do Estado contam com isso”, revela.

Para concluir a abertura, Paulina Duarte, da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, destaca a participação social como fundamental na construção de uma política de enfrentamento de droga eficiente. Ela lembra ainda que a presidenta Dilma lançou, no ano passado, o Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack, com três eixos: prevenção, cuidado e autoridade, todos perpassados pela capacitação. Assim como Javier, ela acredita numa ação de combate às drogas em conjunto com outros países. “Com a responsabilidade de compartilhamento conseguiremos enfrentar a questão das drogas. A droga está na sociedade desde o início da civilização e os governos precisam encontrar o enfrentamento com políticas pragmáticas com base no que a ciência, a comunidade e o momento social nos apontam. Esse é um problema de todos nós!”

Lançamento

Logo após as considerações dos integrantes da primeira mesa, houve o lançamento do livro Tratamento Comunitário – Manual de Trabalho, de autoria de Efrem Milanesi, com sugestões e práticas anônimas de enfrentamento comunitário à questão das drogas. O lançamento foi feito por Raquel Barros, da Lua Nova e por Paulina Duarte; da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, idealizadora e patrocinadora da obra.” Estamos disponibilizando uma joia do trabalho comunitário. Recomendo uma leitura e o acompanhamento dele no dia a dia”, disse Paulina.

 

Texto: Bruno Ferreira

Foto: Gutierrez de Jesus Silva