Ex-presidente Lula cobra protagonismo da juventude para futuro da política

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Juliana Winkel, colaboradora da AJN em Roma (Itália)

No último dia 7 de junho, o prefeito da cidade de Roma, Ignazio Marino, recebeu o ex-presidente do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, para um evento onde foram abordadas as formas de compromisso civil pela eliminação da pobreza e da desigualdade. O encontro em Roma, em uma quente manhã de domingo, fez parte de uma agenda de compromissos cumprida por Lula no país, que incluiu uma visita à Expo 2015, em Milão, e uma reunião com o Primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi.

Na presença de integrantes do governo italiano, brasileiro, imprensa e público em geral, Lula recebeu das mãos do prefeito a Lupa Capitolina – símbolo da cidade, como reconhecimento pelos avanços sociais promovidos durante sua trajetória política no Brasil. Acompanhando o evento, estava também uma parcela do público à qual Lula dedicou especial atenção: jovens estudantes de escolas e universidades da região.

Após destacar os números positivos relativos ao desenvolvimento humano e combate à fome durante seus dois governos, o ex-presidente reservou a parte final de sua palestra para se dirigir especialmente aos jovens – entre os quais, afirmou, é comum observar uma descrença generalizada em relação à vida política. “Quando eu era jovem e comecei a atuar no Sindicato dos Metalúrgicos, eu tinha orgulho de dizer que não gostava de política e nem de quem fazia política. Menos de um ano depois, percebi que essa era uma visão equivocada e já estava participando da fundação de um partido político”, lembrou. “Quando acompanhamos a política, somos levados a pensar que nenhum político presta, que não há em quem confiar. Pois eu convido os jovens a, toda vez que pensarem algo assim, utilizarem esse pensamento como um estímulo para que eles mesmos entrem na política. Quem sabe o político perfeito, que vocês estejam procurando, não sejam vocês mesmos?”, desafiou.

“A história nos mostra que, todas as vezes que uma sociedade negou a política, o que surgiu em substituição a ela não trouxe a solução para os problemas – pelo contrário. Por isso digo aos jovens de hoje que saiam da frente do computador, do sofá de casa, e busquem realmente a participação na vida pública, não só protestando, mas também propondo e construindo. Se vocês não gostam dos partidos existentes, se organizem, montem novos e busquem o que vocês querem. Mesmo errando, nós no Brasil estamos procurando fazer as coisas de fato – e só quando se chega ao poder é que sabe o que realmente se pode ou não fazer. A democracia é aprender a conviver com os contrários, a compartilhar decisões com pessoas com quem, muitas vezes, nós não gostaríamos sequer de conversar.”

Ele finalizou reforçando o papel de todos os países, inclusive da Europa, na consolidação dos direitos e no impedimento de retrocessos em conquistas históricas dos trabalhadores e dos povos de forma geral. “Não estamos em época de mudança, mas sim em mudança de época”, declarou. “Não faz mais sentido globalizar os mercados sem globalizar os direitos, liberar as negociações em nível mundial sem libertar as pessoas”.