Bué Fixe: conscientização sobre HIV/Aids

Vinícius Gallon, de Curitiba (PR)

Em Portugal, a ONG Bué Fixe é um bom exemplo de como a atuação da juventude no enfrentamento ao vírus da Aids pode ser positivo. Fundada em 2003 por um grupo de jovens em São Tomé Y Príncipe, país de língua portuguesa localizado na parte centro-ocidental da África, a ONG foi criada por causa da falta de informação sobre o HIV/Aids voltados para jovens.

Dynka Amorim dos Santos, presidente da Bué, conta como tudo começou.  “Como nós achávamos que era bastante burocrático criar uma ONG, criamos primeiro uma revista que fosse feita de jovens para jovens, cujo objetivo principal fosse sensibilizar e educar os jovens sobre a questão da Aids. Na revista Bué Fixe abordamos vários temas, a maior parte está relacionado à Aids, mas, falamos também de esportes, música, tecnologia, moda e outros temas de interesse da juventude”.

Em 2005, os jovens membros criadores da organização foram para Portugal continuar os estudos e deram continuidade ao projeto por lá. Atualmente, a Bué atende jovens são-tomenses, de outros países africanos que falam português, além do Brasil e Portugal. “Nosso projeto mais importante é o de prevenção do HIV/Aids, em que usamos todas as ferramentas da comunicação e informação para educar os jovens. Essas ferramentas são nosso espaço de rádio, a revista, o serviço de envio de mensagem de celular, as oficinas que organizamos, a distribuição de camisinhas que fazemos nos bairros de Lisboa, nas baladas e nas faculdades”, relata Dynka.

Segundo Dynka, a grande aceitação do projeto deve-se principalmente ao diálogo estabelecido com a juventude, por meio de uma linguagem coerente com o público. “Julgo que o maior desafio para enfrentar o HIV/Aids seja usar a linguagem que o jovem usa no seu dia-a-dia. Nós temos utilizado tal linguagem em todos os nossos trabalhos. Esse é um dos grandes feitos que temos alcançado através do projeto”.

O presidente da Bué Fixe acredita na união das diversas entidades e pessoas envolvidas na luta contra a Aids. “Acho que a melhor forma de fazermos as políticas públicas darem certo é envolver a todos. Ou seja, ONGs, pessoas que vivam com HIV, empresas e governos. Acredito que quando todos se reúnem é possível ter uma política pública mais estável”, conclui Dynka.