Fórum de Mídia Livre discute Protocolo para as redes sociais dos Movimentos

Por Vânia Correia

Curtir, cutucar, tuitar, postar, são verbos cada vez mais presentes na vida dos milhares de brasileiros que aderiram às redes sociais. Além de manter contatos, fazer amigos, acessar informações, cada vez mais as pessoas usam essas redes nas estratégias de militância social.

Mundo afora, grandes movimentos de protestos foram articulados via redes sociais como o twitter e facebook, a exemplos da Primavera Árabe, os Indignados na Espanha, os Ocupes, etc. Pelas redes circularam fotos, depoimentos, vídeos, chamamentos, informações capazes de ampliar a escala dessas ações.

No Brasil, muito recentemente, episódios como a violenta desocupação de Pinheirinhos, em São José dos Campos/SP, a suspeita de estupro dentro de um programa da Rede Globo, e as ações na ‘cracolândia’, foram amplamente comentados nas redes, gerando comoção social, forçando as pautas aos veículos tradicionais e mobilizando protestos.

Esses são alguns exemplos do papel que as redes sociais vêm ocupando no processo de mobilização social. Contudo, há grande incomodo com o fato de que essas articulações sejam dependentes das redes sociais hegemônicas, propriedade de grandes grupos. “Esse é um problema porque torna os movimentos sociais dependentes dessas plataformas”, comentou Rodrigo Souto da Cooperativa de Tecnologias Livres – Colivre, durante o Painel que discutiu o Protocolo para as Redes Sociais dos Movimentos, no Fórum de Mídia Livre, no dia 27, em Porto Alegre.

Tentado superar essa limitação, diversos grupos têm trabalhado na construção de plataformas livres que possam superar o controle e cerceamento a que estão sujeitos os militantes nas redes proprietárias. Experiências como Colivre, Coolmeia, Nosfero, Phyrtual e outras, são algumas das experiências interessantes apresentadas durante o III Fórum de Mídia Livre, realizado em Porto Alegre, nos dias 27 e 28 janeiro, durante o Fórum Social Temático.

No entanto, essas experiências ficam muitas vezes dispersas e por isso, enfraquecidas, sem a possibilidade de se conectarem entre si. Nesse sentido, criar um protocolo tecnológico e político para as redes sociais dos movimentos aparece como algo imprescindível para potencializar a luta social, por meio do uso das redes sociais. “São ferramentas fundamentais que vão possibilitar a luta contra as redes hegemônicas”, comentou Rodrigo.

Um grande desafio é mobilizar as pessoas para aderir às redes livres e não isolar as discussões, deixando de alcançar os integrantes das redes proprietárias. Por isso, a importância de promover a integração entre as diversas redes e o compartilhamento livre de informações, que experiências como a Noosfero vêm buscando alcançar.

O FML III levantou uma série de propostas que seguirão sendo discutidas para fechar um protocolo mundial para as redes sociais dos movimentos. Continue acompanhando em www.forumdemidialivre.org

 

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