Conheça os candidatos à prefeitura do Rio de Janeiro

Marcelo Freixo (PSOL – 50)

Inicialmente militou no Partido dos Trabalhadores (PT), ingressando no Partido Socialismo e Liberdade em 2005, e em 2006 ganhou sua primeira eleição para deputado estadual. Formado em História na Universidade Federal Fluminense, Freixo foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 2014, sendo o mais votado do Brasil. Conhecido defensor de Direitos Humanos, ele ganhou notoriedade nacional ao presidir a CPI das Milícias na ALERJ em 2008, além de seu trabalho junto ao sistema penitenciário, denunciando a má condição das prisões.

Hoje, preside a Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da ALERJ, é colunista da Folha de São Paulo, e vem com uma agenda forte e preparada em debates de rua e participação popular, formado pela coligação “Mudar é Possível”, junto ao PCdoB. Ao lado de sua vice Luciana Boiteux, advogada e especialista em Direito Penal, ele propõe linhas de políticas públicas com maior participação da sociedade civil, além do intenso debate sobre Diversidade, com criação e fortalecimento de conselhos de defesa dos direitos das mulheres, negros, população LGBT, juventude e pessoas com deficiência. Sem deixar de lado sua histórica frente de atuação, propõe maior autonomia para a Guarda Municipal, com plano de carreira digno, acompanhamento psicológico e formação democrática.

Segundo o Data Folha, Freixo está equilibrando entre 2º e 3º lugar há algumas semanas, contando com 10% das intenções de voto. Apesar de reconhecidamente ter apoio da juventude, o candidato lidera com 25% a faixa de intenção de votos de eleitores com ensino superior.

 

Jandira Feghali (PCdoB – 65) 

Deputada federal pelo Rio de Janeiro desde 2011, garantindo dois mandatos consecutivos, Jandira é também médica e tem importante história na militância pela Saúde e Direitos da Mulher. Relatou o projeto de lei que cria mecanismos para prevenção e combate à violência doméstica contra as mulheres, a Lei Maria de Penha, tendo reconhecimento das Nações Unidas. Foi secretária de Desenvolvimento Econômico de Niterói, além de ter sido escolhida por Eduardo Paes, então prefeito em 2008, para assumir a Secretaria de Cultural do Rio de Janeiro. Recentemente votou contrária ao processo de Impeachment sofrido por Dilma Rousseff, e propõe políticas de combate ao Governo Temer.

Seu plano de governo apresentado para as eleições de 2016, chamado Rio em Comum, conta com seu vice Edson Santos, constitui eixos que a candidata considera ausentes nas últimas gestões da prefeitura do Rio, como a Democracia, Combate às Desigualdades, Diversidade e Transversalidade de Gênero. Essa última tem força especial devido sua militância, onde aborda a construção das cidades com majoritária demanda masculina, fazendo necessária a criação e expansão de políticas públicas que considerem a mulher como sujeito político. As propostas passam pelo fortalecimento da Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres e ampliação das Casas da Mulher Carioca, que visa capacitação para o mercado de trabalho, educação, entre outros, além de medidas que visem a saúde integral da mulher. Ela também rejeita a tese da “Escola sem Partido”, defendendo veemente a escola como local de direitos e igualdade.

A candidata atingiu o 3º lugar nas intenções de voto segundo o Data Folha, com 9% de preferência. No perfil socioeconômico, Jandira tem adesão mais forte de eleitores com faixa etária entre 45 e 59 anos, estando em 2º lugar, atrás de Marcelo Crivella.

 

Flávio Bolsonaro (PSC – 20) 

Deputado estadual pelo Rio de Janeiro desde 2003, alcançou seu quarto mandato em 2014. Advogado e empresário, Flávio é filho do conhecido político brasileiro Jair Bolsonaro, da mesma legenda. Ele defende valores representados pela defesa da família tradicional, como dos valores cristãos; do valor e importância do trabalho e do mérito como mais justos critérios de progresso social e distribuição de renda; da ética; e do direito à propriedade e à posse e porte de armas por cidadãos cumpridores das leis. Apesar disso, Flavio já deu declarações favoráveis a ditadura militar brasileira, a pena de morte e a redução da maioridade penal. Ganhou notoriedade mais negativa ao reiterar declarações de seu pai sobre homossexualidade, ao condicionar diferentes orientações sexuais a algo anormal. É publicamente contra a atuação dos Direitos Humanos.

Bolsonaro se identifica com a tese do exercício consciente das liberdades e percebe o planejamento familiar como fator importante para redução da exclusão social. Presidiu a Comissão Especial de Planejamento Familiar na ALERJ. Foi autor da PL “Escola sem Partido”, ao justificar que “professores e autores de livros didáticos vêm-se utilizando de suas aulas e de suas obras para tentar obter a adesão dos estudantes a determinadas correntes políticas e ideológicas; e para fazer com que eles adotem padrões de julgamento e de conduta moral — especialmente moral sexual”. Em sua candidatura para a cidade do Rio com o vice Rodrigo Amorim, apresenta como proposta para a Educação a revisão do conteúdo programático escolar para focar em disciplinas básicas e tecnológicas, a implementação do programa Escola sem Partido, e proibição de discussão sobre ideologia de gênero.No campo da Segurança Pública, marco de sua atuação política, ele propõe treinamento e capacitação da Guarda Municipal para o devido uso de armamento não letal e de arma de fogo.

Flávio Bolsonaro tem adesão majoritária de eleitores do sexo masculino. Hoje permanece em 5º lugar com 7% das intenções de voto.

 

Pedro Paulo Teixeira (PMDB – 15)

Filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro, é candidato pela coligação Juntos pelo Rio, tendo como vice a deputada Cidinha Campos. Já foi eleito deputado estadual e duas vezes deputado federal. Durante o Governo Cesar Maia, assumiu a Secretaria de Meio Ambiente do Rio de Janeiro. Tem apoio integral do atual prefeito da cidade, Eduardo Paes, com quem já tem conjunta atuação política desde 2008, e assumiu Secretaria Executiva da Coordenação de Governo do Município do Rio. Em defesa a atual prefeitura do Rio, Pedro Paulo afirma que a gestão investiu fortemente na área de Educação, com o programa Escolas do Amanhã, que abrange a Educação Infantil até o Ensino Médio, e com escolas de tempo integral. No campo da Infraestrutura, coloca como mérito da gestão a construção do Porto Maravilha, apesar de que a revitalização da Zona Portuária custou, só no início das obras em 2011, a remoção de 196 famílias do Morro da Providência, a favela mais antiga do Brasil.

No ano passado, veio à tona publicamente a situação de agressão em que se envolveu o candidato. Pedro Paulo foi acusado de agredir a ex-esposa, Alexandra Marcondes Teixeira. Movimentos de mulheres e organizações populares na cidade se colocam contrários a candidatura de Pedro Paulo por conta deste episódio, declarando inaceitável para a representatividade da população, e em especial para o combate à violência contra a mulher.

Em seu programa atual, ele promete investimentos de quase 6 bi em novas escolas, para expansão do programa Escolas do Amanhã, e contratação de 12 mil novos professores com garantia de formação continuada. Aponta para programa de revitalização de ruas da Zona Norte e Zona Oeste, e garante que “o Rio vai continuar com as contas em dia, gastar dentro do que arrecada e investir ainda mais nos serviços públicos”. Pedro Paulo segue no 4º lugar nas pesquisas, com 9% das intenções de voto, mas lidera na rejeição, com 32%.

 

Marcelo Crivella (PRB – 10)

Ocupa o cargo de Senador desde 2003. Com orientação conservadora, é filiado ao Partido Republicano Brasileiro, denominado de centro-esquerda. Foi presidente da Subcomissão Permanente de Proteção dos Cidadãos Brasileiros no Exterior, subordinada à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e de 2012 a 2014 foi Ministro da Pesca e Aquicultura do Brasil. Foi favorável ao impeachment de Dilma Rousseff, alegando que “o país precisava de um novo caminho”. Crivella também foi autor do Projeto de Lei 728/2011, que tipificava crimes de terrorismo em eventos esportivos. Movimentos sociais alertavam sobre o projeto, que poderia criminalizar tais movimentos.

Sua ligação com a Igreja Universal do Reino de Deus é alvo de grandes críticas, como a de que usa a igreja para propaganda política, o que é considerado crime eleitoral. O candidato afirma que a Igreja não vai interferir em seu mandato, e não mostra intenção de introduzir o ensino religioso de forma compulsória nas escolas, ainda que os defenda de maneira voluntária.

Em seu programa, com a coligação Eu Quero um Rio mais Humano, define como essencial dar continuidade a projetos e programas iniciados por governos anteriores, como o Sistema de BRT (Transporte Rápido por Ônibus) e as Clínicas da Família. Ainda na área da Saúde,         promete melhores salários para servidores que cumprirem metas de produtividade e qualidade no atendimento – este sendo avaliado diretamente pelo cidadão, criação de Unidades de Pronto Atendimento e hospitais de emergência. No âmbito de Segurança, se mostra favorável ao uso de armas menos letais pela Guarda Municipal, a quem quer dar maior autonomia e ampliação para vigilância da cidade.

Marcelo Crivella lidera o ranking de intenção de votos, em sua segunda eleição para prefeitura do Rio de Janeiro. Na primeira, em 2012, ficou com 44% dos votos no segundo turno, perdendo para o atual prefeito Eduardo Paes. Agora soma 31% dos votos no primeiro turno. Tem 34% de eleitores com renda até 2 salários mínimos, e 47% de adesão entre evangélicos pentecostais, contra 2% de Freixo, no segundo lugar.