Curso pretende formar lideranças afrodescendentes para incidir politicamente em diferentes esferas

 

Elisangela Nunes Cordeiro

Começou ontem o 1º Curso de Formação de Líderes Afrodescendente do Brasil – Região Sudeste – Estado de São Paulo. Realizado pelo Coletivo Jovens Feministas de São Paulo (JFSP), com apoio institucional da Organização dos Estados Americanos (OEA), da Coordenadoria dos Assuntos da População Negra do Município de São Paulo (CONE) e da Coordenação de Políticas para a População Negra e Indígena do Estado de São Paulo, o curso vai até o dia 27 e conta com a participação de 30 lideranças de movimentos que discutem igualdade racial.

O objetivo do curso é formar representantes ligados a organizações e comunidades afrodescendentes do Estado de São Paulo, com potencial para replicar os conhecimentos adquiridos no curso. A ideia é promover uma maior participação e incidência política desse segmento da população nos organismos internacionais no âmbito interamericano, sub-regional, nacional e local.

A formação pautou os grupos em situação de vulnerabilidade no coletivo afrodescendente (homossexuais, religiões de matriz africana, idosos, crianças e adolescentes) e a juventude. Segundo dados do Ministério da Saúde, 53% dos homicídios registrados no Brasil atingem pessoas jovens, das quais mais de 75% são jovens negros, de baixa escolaridade, sendo a grande maioria do sexo masculino. Além disso, ao longo da última década, tem crescido o número de mortes de jovens negros, que passou de 14.055 em 2000 para 19.255 em 2010.

Na próxima quinta-feira será lançada em Maceió, a etapa piloto do Plano Nacional  de Prevenção à Violência Contra a Juventude Negra,  intitulado Juventude Viva, com o propósito de promover a cidadania e valorizar a juventude, a Secretaria de Políticas de Igualdade Racial e a Secretaria Nacional de Juventude, da Secretaria Geral.

E na tarde de hoje, as lideranças ainda conversam sobre as ferramentas para participação, incidências políticas e simular na prática entrevista e discurso à imprensa e grandes assembleias. Para finallizar o dia, irão discutir a situação das mulheres afrodescente na região da América Latina, Caribe e Brasil.