Somos mais do que as narrativas brancas podem descrever!

Por: Nathália Henrique da Agência Jovem de Notícias/ “foto divulgação filme Dara a primeira vez que fui ao céu”

Até quando vamos ver negros e negras em papéis de inferioridades nas novelas ou cinema? O estereótipo de que negro é pobre, sem estudos e sempre carregando marcas cômicas se disseminou ao longo das últimas décadas e hoje é palco para reflexão.

A atribuição dessas características negativas, sempre atreladas à marginalização, servidão e hipersexualização do corpo negro nas produções cinematográficas não é algo recente. No entanto, estamos em construção, estamos nos conhecendo, conquistando espaços para contar nossas próprias histórias e construir nossas próprias narrativas.

A desigualdade e a falta de representação pode ser vista também atrás das câmeras, uma pesquisa realizada pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA) da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), constatou que, nos últimos três anos da realização do festival de cinema do Rio, pouca coisa mudou em relação à presença de mulheres e de pessoas não-brancas na direção dos filmes apresentados pelo Festival.

Os dados apontam que na 19ª edição do festival que aconteceu no primeiro bimestre de 2017, somente 5% das diretoras e diretores de todos os longas em cartaz não são brancos e 7% são asiáticos. Refletindo assim a falta de pluralidade, um dos temas do festival.

A auto-narrativa no cinema negro

Somos mais do que corpos que sambam nas avenidas no mês de janeiro. Nossas afetividades, desenvolvimentos intelectuais, desejos, costumes e crenças são importantes.  E esses afetos estão tomando conta das narrativas cinematográficas.

No dia 22 de agosto, o cineasta e professor Renato Candido, estreou a obra “Dara – A primeira vez que fui ao céu”. O curta, que é inspirado no conto “A primeira vez que fui ao céu”, de Elizandra Souza, mostra de forma simples e bela o desejo de Dara de ter sua própria balança, além de pontos cotidianos que influenciam na formação da garota, como crescer com os cuidados dos avós.

“O roteiro do curta traz a afetividade infantil pelos brinquedos, mas não só isso, mostra uma afetividade com os lugares. Ver o conto na tela me lembra muito a história dos meus familiares que vieram para São Paulo muito cedo, deixando para trás muitos objetos que fizeram parte da vida deles.” Relata Renato ao lembrar do conto “A primeira vez que fui ao céu”, de Elizandra Souza.

O plano genocida para a população negra começou na captura de negros em países africanos e continua no fundo de viaturas policiais, nas margens das grandes cidades. É importante repensar essa dura realidade e pensar em formas de mudar a situação.

Me dói ter que falar de racismo, violência policial, jovens negros mortos, solidão da mulher negra, ver discursos de ódio na internet todos os dias. Cansada de ferir minha saúde mental, às vezes quero conversar sobre receitas com produtos naturais para o cabelo, ou rir assistindo “Um maluco no pedaço”. Vale lembrar que ações que denunciam nossas vivências são imprescindíveis, mas não somos só isso. Ser negro, é toda uma construção de resistência, mas também é SER.