Adoção por casais gays: um ambiente aberto à diversidade

fotos Diego Moreira

Com o passar dos anos, o conceito família tem se transformado. Se antes associávamos família somente a uma figura feminina com outra masculina, hoje podemos ter uma concepção mais ampla, como por exemplo, as famílias homoafetivas, nas quais podemos encontrar dois pais ou duas mães. Esse sonho muitas vezes se torna realidade através da adoção.

Esse é o caso de David Harrad e seu marido , Toni Reis que adotaram 3 crianças. “Somos um casal bastante público no sentido de sempre termos achado importante dar visibilidade à questão gay e mostrar para a sociedade que não se trata de um “bicho de sete cabeças”. Junto com o filho, resolvemos tornar público também o fato da adoção dele por dois pais gays. A notícia gerou um debate acirrado no maior jornal do nosso estado, que durou mais de uma semana. Valeu a pena porque trouxe o assunto à tona e serviu para diminuir a polêmica, inclusive o desfecho do debate foi muito mais positivo do que negativo para a adoção homoafetiva”, conta David.

As lutas e as conquistas dos homossexuais não param por aí. No Brasil, a união estável de casais homoafetivos foi reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) somente no ano de 2011. Após 2 anos o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou a obrigatoriedade dos cartórios de realizarem o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em março de 2015 o STF reconheceu pela primeira vez o direito de adoção por casais homossexuais. O assunto não está especificado por lei, sendo realizado através de pareceres judiciais. “Quando éramos jovens (nos anos 1980), e antes de nos conhecermos, nós dois tínhamos vontade de ter filhos, só que naquela época não parecia ser possível ter filhos por causa da nossa condição homossexual… Felizmente, em 2011 uma juíza de outra Vara se interessou em nosso caso e com base na decisão do Tribunal de Justiça do nosso estado permitiu que adotássemos dois filhos e uma filha. A decisão final do STF a respeito do recurso do Ministério Público só saiu em 2015, a nosso favor, 10 anos depois de termos dado entrada no pedido de adoção”, explica David.

Toni, David e seus três filhos
Toni, David e seus três filhos

Dois iguais não podem ter filhos?

A responsabilidade da adoção é, sem dúvidas, um grande desafio. O amor, o cuidado, a atenção e a transmissão de valores morais, éticos e sociais é fundamental para o desenvolvimento da criança. ¨Ser pai é padecer no paraíso. É receber amor, receber afeto, é cobrar e ser cobrado 25 horas por dia, mas quando seus filhos vêm falar “Pai te amo” e com sorriso no rosto, compensa tudo”, diz David. A busca pela adoção tem crescido cada vez mais. Segundo o Cadastro Nacional de Adoção (CNA) o número de crianças aptas para a adoção é cerca de 5,5 mil e há mais de 31,6 mil pretendentes cadastrados na fila de adoção.