Documentário “Nunca me Sonharam” reflete sobre o Ensino Médio público no Brasil

|Por: Gabriel Wagner, da Agência Jovem de Notícias, São Paulo (SP)| Imagem de destaque: divulgação “Nunca Me Sonharam”

“Eles nunca me sonharam sendo um psicólogo, nunca me sonharam sendo um professor, nunca me sonharam sendo um médico, não me sonharam. Eles não sonhavam e nunca me ensinaram a sonhar. Tô aprendendo a sonhar sozinho.” – Felipe Lima, Estudante. Nova Olinda (CE)

O depoimento de Felipe é parte do documentário ‘Nunca me sonharam’, uma iniciativa do Instituto Unibanco, dirigido por Cacau Rhoden e produzido pela Maria Farinha Filmes. O filme retrata a situação do jovem na educação e na sociedade, suas dúvidas e angústias sobre o futuro.

A despeito do tom melancólico, o documentário traz uma abordagem que demonstra a resiliência do jovens às adversidades da vida – escola, trabalho, pressões sobre carreira e afins.

Além disso, o filme dá a voz ao jovens, abrindo um espaço de uma autonomia e autenticidade, raridade nos filmes tradicionais. Assim, o longa foge do discurso do senso comum. Ao longo de uma hora e meia, o documentário propõe reflexões em momentos de silêncio, as cenas sem diálogos permitem que o telespectador reflita e desperte questionamentos, enriquecendo muito a experiência do filme.

No entanto, apesar de tratar de um tema importante e apresentar uma diversidade de ideias a partir da fala dos jovens, ficam de fora algumas questões que poderiam ser abordadas no filme, como a voz e experiências de jovens e educadores LGBTs e o movimento das ocupações, quando a jovens Brasil afora reivindicaram a escola como sua, em busca de um espaço autônomo para praticar uma educação mais livre, democrática e humanista.

Sobre isso, o diretor Cacau Rhoden explica: “Eu já estava em campo quando se cogitou uma reforma. Então, não sabíamos onde essa reforma ia dar, o que ia acontecer, qual ia ser o desfecho dessa história, e ficou claro pra gente que a gente poderia abordar sim isso junto aos meninos e aos educadores durante as nossas conversas, mas sem datar o filme.”

Nesse sentido, o documentário amplia o espaço para discussões e debates acerca do ensino médio público, das juventudes brasileiras e da sociedade contemporânea.

“Eu acho que o filme é uma ferramenta, e cada vez mais a gente vê que o audiovisual é uma ferramenta realmente poderosíssima na educação, da maneira mais global possível”, compartilha Rhoden.

Onde assistir

O filme estreia nos cinemas no dia 8 de junho, em São Paulo e no Rio de Janeiro. O documentário também estará disponível gratuitamente para educadores na plataforma Videocamp.