Descoberta do Brasil que não conhecemos

Por: Wesley Matos da Agência Jovem de Notícias/ Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

No Brasil, injustiças e descasos já aconteceram e ainda acontecem diariamente quando o assunto é direcionado aos nossos nativos, os indígenas. Principalmente quando falamos sobre os políticos que não cumprem as leis que garantem os direitos culturais e de sobrevivência dos povos originários do Brasil.  Além deste fator, temos a falta de informação e de apoio da sociedade em relação ao assunto e os problemas com as demarcações de território.
Sabe-se que durante muitos anos, os europeus vieram para as terras brasileiras, com o intuito de colonizar. Claro que, alguns com o objetivo de povoar e outros com o de explorar. No caso dos portugueses que ocuparam grande parte das terras, a exploração dos recursos brasileiros teve um foco maior e desencadeou uma série de casos negativos às populações que aqui habitavam e ainda habitam.
Louco para entender os processos históricos do Brasil e de outros países, o escritor e jornalista Reinaldo José Lopes, começou a investigar e estudar as histórias dos povos indígenas brasileiros, antes da chegada dos seres considerados “civilizados” em nosso país. E, escreveu o livro chamado “1499”, que conta justamente as descobertas dessa investigação interessantíssima e que possui um linguajar muito mais simples do que estamos acostumados a ver em alguns conteúdos por aí.
“Durante alguns anos, comecei a ler e acompanhar vários artigos e trabalhos acadêmicos e me interessei bastante pelo assunto, muito mais do que antes na verdade. Entrevistei muitos arqueólogos que atuavam/atuam nessa área e demorei cerca de um ano mais ou menos para finalizar a escritura deste livro”, conta Reinaldo.
Um dos problemas que podemos perceber em nosso cotidiano com relação a isso tudo, é a falta de aprofundamento sobre a cultura indígena nos livros didáticos ou livros de grande importância histórica. Nas escolas, as vivências, experiências e contribuições indígenas para a construção do que somos hoje, não são ensinadas como as colaborações europeias. Reinaldo José Lopes, diz que isso acontece devido a nossa matriz que é majoritariamente europeia.
“Coitado do professor de história que tem um conteúdo imenso para passar e poucas aulas para aplicar tudo. Por um lado, eu entendo! Faz sentido que o foco seja dado à Europa, já que nossa matriz é majoritariamente baseada nela” e completa dizendo, “Os estudos acadêmicos mostrando essa outra visão histórica, raramente chegam aos educadores. Esses conteúdos não são condensados de um jeito que todos os professores que não possuem mestrado ou doutorado entendam. É importante, pelo menos, tentarmos incluir um pouco mais esse tema nas escolas. Sinto que há uma falta de equilíbrio.”
Toda essa falta de informação nas escolas e nos veículos midiáticos, fazem com que muitas pessoas não consigam entender a real importância da luta indígena.  “O pessoal que vê o discurso de soberania nacional, 95% das vezes usam isto como desculpa ideológica pra cobiça econômica material […]É gente interessada em recurso e acha que tem mais direito do que quem chegou aqui antes”, diz o jornalista.
Tendo em vista todos os argumentos mencionados, é possível perceber que há uma falta de informação tremenda a respeito dos nativos e da nossa própria cultura. Embora isso aconteça, podemos alimentar e crescer nosso intelecto através de pesquisas na internet e também, no próprio livro “1499”, do Reinaldo José Lopes.