[RESENHA] A Metamorfose: aprecie uma viagem entre memória e perspectiva dos indígenas Wayana

|Por: Carla Andrade e Wesley Matos, da Agência Jovem de Notícias, São Paulo (SP)|

Durante a primeira quinzena de junho , São Paulo recebeu a 6° Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental. O evento acontece anualmente e é organizado pela Ecofalante, organização sem fins lucrativos que visa a educação para o desenvolvimento sustentável. A Mostra contribui para a divulgação de importantes e premiadas obras cinematográficas ao público brasileiro.

Segundo o diretor do festival, Chico Guariba, um dos objetivos do cinema ambiental, é tentar democratizar os trabalhos realizados dentro desta temática e levar mais informações ao público. “A Mostra foi criada em 2012 com o intuito de criar uma plataforma para, através do audiovisual, debater os problemas contemporâneos”, diz.

Dentre o leque de filmes apresentados, o longa A Metamorfose foi um daqueles de levar o espectador para o tempo distante, para o mundo das memórias do povo Wayana e para a ponte onde os desejos e as perspectivas da juventude se encontram.

“Falo sobre o mundo das transformações onde as formas são nebulosas.”

O documentário com universo ficcional, fantasioso, aborda a agitação social e cultural do povo Wayana, tendo como guias da jornada o jovem Derreck, a avó Malilu, Stéphane e a moça Sylvana, que nos ajuda a perceber como a metamorfose os encontra.

O desejo de juntar-se com alguém de outro povo, o contato com as tecnologias, o sonho com a Estação Espacial Europeia e os pensamentos com os guerreiros mitológicos, todos conduzidos sempre pela luz verde, representam o escape da realidade para o mundo das ideias. O documentário expressa essa vontade de sair das comunidades de origem e de se conectar com realidades diferentes das quais  estes grupos estão inseridos.

Isso pode ser observado em determinados momentos, como na abordagem de uma adolescente que gostaria de estudar e seguir carreira como atriz na cidade grande, ou de um jovem que questiona a importância do dinheiro – “ Quando temos dinheiro no bolso, não temos nada, pois tudo é muito caro!”, diz o morador da aldeia.

Tendo em vista as diversas obras audiovisuais que estão sendo produzidas, este festival com certeza apresenta inovação, já que normalmente não se dá atenção a esse tipo de tema. Sabrina, que assistiu ao filme, confirma: ‘’É muito difícil encontrar cinema ambiental e ainda mais como este.’’