Sexo e Saúde: Diante do desafio que é ser mãe, é importante que isso só aconteça quando a gente realmente quiser

Por Soraia Paiva, Jaqueline Magalhães e Cristiane Rosa, mães e educadoras do Programa Adolescer, para a Agência Jovem de Notícias

Ilustração de Ivo Sousa/Arquivo da Revista Viração

Domingo é Dia das Mães. E ser mãe – e pai – é uma escolha, ou pelo menos deveria ser. É importante que todo mundo saiba que a nossa vida é feita de escolhas, e que engravidar é uma delas. Qualquer pessoa que vai iniciar sua vida sexual, seja adolescente, adulto, menino ou menina, deve se preocupar com as consequências que isso traz, e se informar muito, para estar tranquilo e fazer escolhas de forma consciente, evitando “sustos” não desejados, como uma gravidez sem planejamento ou doenças sexualmente transmissíveis, e assim, poder curtir tudo que este momento traz de bom.

A gravidez representa, para todas as mulheres, um momento de profundas mudanças: físicas, sociais e afetivas. Quando esta gravidez se dá na adolescência, estas mudanças são ainda mais acentuadas, por conta de ser este um momento também de muitas expectativas e transformações.

Assim, o corpo de mulher que acaba de surgir, imediatamente toma novas formas, menos curvas e mais volume. Os programas com as amigas ou parceiro muitas vezes têm de sofrer adaptações, nos hábitos e horários. E os sentimentos, ah, esses então ficam confusos e intensos.

Se por um lado a reação do parceiro e da família diante da notícia da gravidez nem sempre é receber bem e apoiar, por outro a futura mãe experimenta o medo e a insegurança de não se sentir preparada para a maternidade que, na maioria das vezes, não foi planejada.

Num curto espaço de tempo, há muitas decisões a tomar: se vai formar uma nova família ou se continua com os pais, se vai conseguir continuar os estudos, se dará conta de cuidar de um bebê e, principalmente, qual papel assumirá dali em diante. Sim, porque a gestação interrompe a adolescência e muitas de suas vivências e a maternidade cobra dela uma postura de mulher adulta. Ela tem de enfrentar agora novas responsabilidades.

Por todas estas razões, a gestação representa um momento difícil e de muita insegurança para as jovens futuras mães. No entanto, quando nascem, os bebês se tornam a alegria da família, o xodó dos avós e para a maioria das mães adolescentes não existe mais o arrependimento.

A maior parte das mães adolescentes administra bem a maternidade, especialmente se contam com a família e/ou o parceiro. Porém, o discurso de todas elas é quase sempre o mesmo: se pudessem, escolheriam outro momento para engravidar, mas como isso não é mais possível, aceitam e transformam essa nova fase da vida em um momento de grande aprendizado e troca.

Essas jovens mães, ainda que sem preparo ou sem saber ao certo o que está acontecendo, podem ter amor de sobra pra dar, estão dispostas a enfrentar os desafios da maternidade e a se tornarem mulheres guerreiras desde cedo. Mas, para que isso aconteça, precisam de apoio, de companhia de gente que esteja ali para ouvir, para pensar junto, para dar suporte, enfim, para vivenciar com elas essa nova etapa de vida pra lá de nova, desafiadora e especial.

Diante desse monte de desafios que tanto a maternidade quanto a paternidade colocam diante de nós, fica claro porque é tão importante que isso só aconteça quando a gente realmente quiser, e não se transforme em um “acidente”, um “escapou”, ou “na hora nem pensei”. Pensar antes (e na hora H) permite que o “ser mãe” e o “ser pai” venham compor a nossa sexualidade de um jeito consciente e responsável, tornando tudo mais tranquilo e gostoso de viver, seja na adolescência, na juventude, na fase adulta, enfim, quando a gente escolher para acontecer.

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