Violência contra os Guarani e Kaiowa aumenta no MS

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O aumento expressivo da violência contra os Kaiowa e Guarani no Mato Grosso do Sul, especialmente na região fronteiriça com o Paraguai e na região de Dourados, clama pela necessidade de ampliarmos e mantermos em pauta a discussão sobre os problemas políticos e seus desdobramentos acerca do processo de demarcação dos tekoha e os assassinatos e ataques das milícias ruralistas, que ganham, a cada dia, mais força devido à impunidade que o agronegócio e seu poderio financeiro garante.

É assustadora a impunidade sob os ruralistas que deleitam neste estado. É só olhar a composição da ALMS (Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul) e do TJ-MS (assim como o Congresso Nacional e o STJ) veremos o quanto as tramas sustentam estas redes políticas e econômicas entre setores e seus agentes, isso fortifica o processo histórico de constituição das elites rurais locais.

As lideranças tem pedido aos pesquisadores e pesquisadoras que estão pela região para manterem a comunicação com as pessoas que se preocupam e atentam as questões locais, pois eles e elas analisam com preocupação o processo em curso. Falta uma diretriz política no cumprimento das questões constitucionais que coloca em risco a vida dos kaiowa e guarani. São quase 40 mil vivendo em condições diversas nas aldeias, nas retomadas e nos acampamentos, resistindo bravamente contra as agressões diárias dos brancos.

“Nós sabemos que entre os poderosos do executivo, legislativo, judicial e político estão os que têm preconceito, os que levantam falsos [testemunhos] sobre nós e dão testemunhos em contra de nosso povo, por exemplo, que não trabalhamos. E se nós não trabalhamos (como os não indígenas acham que devíamos) é porque não temos condição. Se cortar a linha de crédito dos grandes proprietários, eles não vão produzir. Para esses, nós não valemos nada. Somos motivo de gozação. Nosso direito está em vão no papel. Se vamos ao banco pedir financiamento, não há crédito para nós. Nosso direito à terra é uma esperança vã”, trecho da mensagem escrita pela tribo Guyra Kambiy, intitulada “Feijão velho só cozinha na pressão”.

Da Redação | Imagem: José Cruz/ABr – Agência Brasil