Especialista fala sobre participação cidadã e segurança pública em Belém

Ivone_Costa

Na programação do Curso de Convivência e Segurança Cidadã houve a participação de Ivone Costa, doutora em Sociologia Econômica e das Organizações pela Universidade Técnica de Lisboa – (2003).  Ivone atualmente é docente da Universidade Federal da Bahia e coordenadora do curso de mestrado profissional em Segurança Pública, Justiça e Cidadania (MPSPJC). Em entrevista, a professora respondeu algumas perguntas sobre participação cidadã. Confira.

O que é participação cidadã?

Ivone: É uma atitude positiva diante da construção, da prevenção e de uma sociedade justa e solidária.

É possível haver políticas públicas para a participação cidadã? Quais são os caminhos?

Com certeza! Isso não é só possibilidade. Já é uma realidade. Evoluirmos para uma constituição preocupada com os índices de criminalidade. Hoje nós temos uma definição de Políticas Públicas Cidadãs claramente constituídas. Isso já é um preceito reconhecido pela sociedade. As políticas públicas são uma realidade e precisam ser implementadas com a devida coerência e consistência política e social.

Quais os modos de pensar segurança pública e a relação da polícia com a sociedade? A segurança é exclusividade da polícia?

Há uma afirmativa categórica que está sendo disseminada de que a segurança pública não é um problema de polícia. Nos preceitos constitucionais do Art. 144 diz que “a segurança pública é dever do Estado, é direito e responsabilidade de todos”. E que segurança pública é um conceito. E que esse conceito precisa ser trabalhado, alargado, envolvido socialmente. A dimensão cultural política e a dimensão de políticas públicas integradas estão muito além dos investimentos somente nos equipamentos e no aumento do quantitativo policial. Considera-se o campo da segurança pública um campo multidisciplinar, cujo fenômeno da violência o permeia. Esse campo jamais terá e poderá ter uma direção única e política. Muito pelo contrario, a polícia é protagonista. Ela é parte integrante desse processo de construção de uma democracia cidadã.

Qual a influência da mídia na participação cidadã?

O papel da mídia numa construção política e de uma cultura cidadã é extremamente relevante. Mas ela precisa trabalhar com filtros e ter muito cuidado em evitar o sensacionalismo. Como mostra os casos de homicídios. A mídia tem um papel educativo e precisa exercer esse papel educativo e sem esse papel, a sociedade não pode se transformar.

Entrevista: Jorge Anderson, de Belém (PA) | Fotos: Mário Barbosa