Pesquisa revela entendimento dos brasileiros sobre mudanças climáticas

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Pedro Neves, da Redação | Imagens: Pedro Neves

Na última sexta-feira (14), o Instituto Arapyaú e o Observatório do Clima apresentaram uma pesquisa sobre como os brasileiros entendem as mudanças climáticas. A FrameWorks Institute, organização norte americana composta por antropólogos, desenvolveu uma metodologia própria a fim de facilitar a tradução de temas complicados para a opinião pública. O evento aconteceu no Auditório Itaú, na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo. Estavam presentes diversos representantes da imprensa a fim de entender novas formas de se comunicar com o público. Após a apresentação do estudo ocorreu um ciclo de debate em que a plateia pôde fazer perguntas aos presentes na banca.

“As pessoas interpretam gráficos e dados de uma maneira totalmente diferente que os especialistas querem”, conta Michel Baran, pesquisador sênior e diretor de projetos especiais da FrameWorks. Na primeira etapa, qualitativa, entrevistaram cientistas ligados a diversas áreas climáticas. Depois, a equipe de antropólogos (brasileiros treinados na metodologia) levou os principais pontos identificados no discurso dos especialistas para as ruas e ouviu o que uma amostra de pessoas, em diferentes locais do país, percebia sobre os dados.

Os resultados demonstram completa incompreensão da população do que a ciência sabe hoje sobre a alteração da temperatura da Terra e sobre como reverter essa realidade. Por exemplo, o brasileiro associa clima com previsão da meteorologia para o dia seguinte; percebe as mudanças climáticas nos períodos de seca e calor intensos, avanços das marés, chuvas catastróficas etc. No entanto, as pessoas acham que as soluções para esses problemas passam por posturas individuais como economia de água, de energia, reciclagem, e não por posicionamento estratégico de políticas públicas.

Ou seja, para o senso comum, a energia elétrica está mais cara apenas porque não chove e não pela escolha de governos por determinadas matrizes energéticas, ou pela ausência de um posicionamento sistemático e ambicioso para baixar as emissões dos gases do efeito estufa, entre outras noções.

Após a apresentação, foram chamados ao palco figuras de destaque da imprensa para falar dos resultados e novas formas de comunicar as mudanças climáticas. “No prêmio Época Empresa Verde notamos que até os responsáveis pelas maiores empresas do Brasil não sabiam do que se tratava o assunto. Essa pesquisa nos traz diversas ferramentas para aprendermos a nos comunicar de maneira mais eficaz com o público”, fala Alexandre Mansur, editor executivo da revista Época.

O intuito é descomplicar um tema que já é distante das pessoas. Agora cabe às empresas de comunicação informar de maneira simples e correta o que são mudanças climáticas e suas reais consequências. “O público alvo da pesquisa são os jornalistas, mas ela só vai fazer sentido se os profissionais da comunicação se aproximarem de seu público alvo, os cidadãos”, diz Gustavo Faleiros, gerente da Earth Journalism Network (EJN).