Mídia X Sexualidade: o que você assiste, ouve e lê também interfere no seu jeito de agir e pensar

Por Jaqueline Magalhães e Cristiane Rosa, educadoras do Programa Adolescer, colaboração para a Agência Jovem de Notícias

ARTIGO – TV, rádio, revistas, jornais, celulares e internet. Quase todos nós acabamos passando algumas horas envolvidos com alguma dessas mídias, seja em busca de informações sobre o mundo, algum tema de interesse específico, diversão, bate-papo ou um simples passa tempo. Não há como negar a importância dos meios de comunicação em nossas vidas nos tempos atuais, nem a facilidade que eles muitas vezes trazem ao nosso dia a dia, além de permitirem trocas cada vez mais rápidas de informações e ideias, que influenciam comportamentos pelo mundo.

E é nesse ponto que estamos pensando aqui: a influência da mídia, em seus diversos formatos, no comportamento dos adolescentes, principalmente no que se refere à sexualidade. Por exemplo: formas de se relacionar, de se vestir, de dançar, namoros, traições, primeira transa, primeiro beijo, diversidade, entre outros, são temas frequentes em novelas, filmes, seriados, programas voltados para jovens, blogs e sites. Cada um desses meios apresenta ideias, conceitos, valores sobre como “se deve” ou “não se deve” viver a própria sexualidade, sobre o que está na moda, e o que é um mico total, sobre como ser popular etc. É como se houvesse um único “certo ou errado”, e quem estivesse fora do modelo, teria um valor menor. Percebe a influência?

Esta pergunta é essencial, porque, se é verdade que a mídia está aí nos influenciando o tempo todo, é super importante que a gente possa perceber esta influência, para poder refletir sobre o que assistimos, ouvimos e lemos, antes de tomar tudo como verdade e único modelo a seguir.

Você já parou pra refletir sobre como o que você assiste, ouve e lê interfere no seu jeito de agir e pensar?

No “Manual de Atenção à Saúde do Adolescente”, feito pela Coordenação de Desenvolvimento de Programas e Políticas de Saúde de São Paulo em 2006, um trecho diz o seguinte: “Os jovens têm recebido um alto conteúdo sexual nas programações e propagandas veiculadas pela TV, através de mensagens que valorizam o sensacionalismo, a erotização, as relações casuais […]. Nas novelas e seriados, a maioria dos atores são jovens e belos, mudam constantemente de parceiros, não usam métodos contraceptivos nem de proteção contra DST e, mesmo assim, não se contaminam, não engravidam e os finais são sempre felizes”.

A gente acaba assistindo a tudo isso e acreditando que tem que ser assim pra ser legal. Questões de gênero, que falam sobre os comportamentos esperados para homens e mulheres, também são marcantes nas propagandas e novelas, mas muitas vezes passam despercebidas, afinal estamos acostumados com mulheres e seus produtos de limpeza, homens e seus carros de luxo, cervejas e mulheres com corpos esculturais ao redor. Parece tudo muito natural, mas não é. São ideias que se criam ao longo da história, e que se transformam com a história também.

Como já ressaltamos lá no início, a mídia também tem grande importância na atualidade, quando trata de temas polêmicos e essenciais ao debate e desenvolvimento social, como a diversidade sexual, o enfrentamento à violência sexual contra crianças e adolescentes, a prevenção às DST/aids, entre outros. Embora isso aconteça às vezes ainda de um jeito muito estereotipado – forçado, sensacionalista – ou superficial, acaba nos ajudando a refletir sobre estas questões. Refletir, pensar, discutir, questionar, ou seja, nunca aceitar simplesmente a informação como ela vem, “mastigadinha”, pronta. Isso é ser influenciado apenas, sem perceber a influência, que pode não ser muito legal.

Por exemplo, as revistas que são direcionadas aos adolescentes, muito mais voltadas às meninas, quando tratam de sexualidade falam sobre prevenção de doenças, sobre como agradar o parceiro, sobre a importância de um corpo perfeito etc. Mas, pouco se fala de prazer, planejamento, questões de gênero e diversidade sexual, menos ainda sobre direitos sexuais. Você já se perguntou porque estes temas não são abordados? Ou já questionou os modelos de comportamento apresentados por estas revistas como sendo os únicos que “valem”?

Muitas músicas seguem no mesmo caminho. Têm um forte apelo sexual, falam da mulher como um objeto para satisfação do homem, de homens que exibem dinheiro e esbanjam prazer, banalizando a sexualidade. E são um sucesso.

A mídia está aí, com um potencial enorme para trazer informações e influenciar crianças, jovens e adultos, seja de forma positiva, com debates, reflexões, programações que promovam discussões em casa, na escola ou na roda de amigos, ou seja de forma negativa. Seja qual for sua mídia favorita – o que importa é fazer escolhas conscientes e questionar sobre o que assistimos, ouvimos ou lemos, antes de simplesmente “ir na onda” do senso comum.

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