No caminho para a igualdade de direitos sexuais

Por Jaqueline Magalhães e José Carlos Bimbatte, psicólogos e educadores do Programa Adolescer

Ilustração: Luiz Perez Lentini/Arquivo Viração

ARTIGO – É comum ouvirmos as pessoas dizerem que hoje em dia o mundo está “moderno”, que as coisas mudaram muito, que tudo e todos são aceitos como são, e que o preconceito é algo do passado. Mas, não é bem assim.

Ainda hoje convivemos diariamente com muita dificuldade de aceitar, e principalmente, respeitar aquilo que nos parece “diferente de nós”, ou diferente do dito “normal”. E essa dificuldade muitas vezes se transforma em desrespeito e violência, seja contra aqueles que são de raças diferentes, origens diferentes, com sotaques diferentes do nosso ou pessoas que têm orientação sexual diferente da que temos.

Quando falamos em diversidade estamos falando dessas diferenças que nos caracterizam: pessoas são diferentes, algumas são brancas, outras são negras, algumas são altas, outras baixas, algumas são heterossexuais, outras são homossexuais, uns são gordos, outros são magros, e assim segue uma infinidade de diferenças. As diferenças estão aí, são reais, e não devem ser negadas. Pelo contrário. Precisam ser vistas como parte do que nos faz humanos – somos diferentes! – e respeitadas cada uma em sua singularidade, seu jeito de ser e de existir.

No último domingo, em São Paulo, aconteceu a 17a Parada do Orgulho LGBT, conhecida como “Parada Gay”, uma mobilização que todos os anos leva às ruas milhões de pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, além dos heterossexuais que também apoiam este movimento que defende a igualdade de direitos e o respeito para todos, independente de sua orientação sexual. Um movimento que luta pelo respeito à diversidade sexual, ou seja, pela não violência, contra a intolerância, pela dignidade e igualdade de direitos.

Então, isso significa o seguinte: diversidade não é um termo “moderninho” que está “na moda”. Diversidade é um conceito que deve estar presente em nosso dia a dia, que precisamos exercitar quando estamos nos vários espaços que frequentamos, na escola, na rua, na casa do amigo, no ônibus ou no metrô, na balada. Exercitar quando estamos diante daquele que nos parece diferente, seja porque é de outra raça, de outro país, porque tem uma deficiência ou porque tem uma orientação sexual diferente da nossa.

Certa vez perguntaram a um dos maiores educadores do mundo, o brasileiro Paulo Freire, qual seria o grande desafio da educação para o nosso século, e ele respondeu: “o maior desafio para o século 21 seria conviver com as diferenças, com as diversidades”.

Desafio dado. Estamos caminhando para vencê-lo, mas ainda precisamos fazer muito mais, para que o velho, o gordo, o magro, o gay, a lésbica sejam respeitados. Fica aqui o convite para cada um de nós: fazer essa reflexão no nosso dia a dia, e, na prática, acolher toda a diversidade.

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