A crise das grandes reportagens

Por Yasmin Almeida

A grande reportagem foi assunto de uma das mesas do seminário “Jornalismo, as novas configurações do quarto poder”, realizado pelo Sesc Vila Mariana e a Revista Cult. O evento reuniu grandes nomes do jornalismo brasileiro contemporâneo, como a roteirista do programa Greg News, Carol Pires; o repórter especial do jornal O Estado de São Paulo, Leonecio Nossa e o jornalista Ricardo Kotscho, com mais de 50 anos de profissão, atualmente é repórter-colaborador da Folha de São Paulo.

O principal foco do debate foi como continuar a produzir um conteúdo de qualidade, que demanda um cuidado especial, levando em conta o tempo necessário para a apuração e produção, em um momento no qual as redações estão com equipes reduzidas e se consolida o jornalismo multimídia.

Mas, afinal, o que é uma grande reportagem? De acordo com os debatedores, é a retratação de um fato histórico, abordado dentro de um contexto. Em outras palavras, é descobrir histórias e personagens, apurar bem os fatos sem esquecer dos pequenos detalhes.

Em nenhum momento houve uma situação favorável para a produção de grande reportagem no país, que surgiu junto com a imprensa no final do século XIX, como uma prática marginalizada da comunicação. Um dos maiores desafios é o alto custo de produzir as reportagens, principalmente com as redações cada vez mais enxutas. “É cada vez mais difícil viver a aventura da reportagem, que não é só coisa boa. Você vai até o inferno e volta”, relata Leonecio.

A grande reportagem existe por si só, às vezes, surge da vivência do dia a dia e pode gerar uma discussão nacional. Tem mais a ver com a visão de mundo do jornalista e como ele leva essa visão para as pessoas, nesse sentido a reportagem é sempre inédita. “O lugar da reportagem, onde a histórias acontecem, não muda, é sempre na rua e não dentro da redação”, defende Kotscho.

Ricardo Kotscho acredita que o jornalista é um contador de histórias. Sua função é cobrir o Brasil que não está na mídia, aquele que não compra o jornal, que corresponde à maioria da população brasileira. “O jornalista tem um compromisso com a sociedade brasileira”, complementa Leonecio.

Os repórteres presentes acreditam que problemas sempre existiram, mas ainda não é o fim das grandes reportagens. Ter empatia e estar aberto para se surpreender com as história é um bom começo. Viva o jornalismo sem medo de errar, se dar mal faz parte do processo. “Ainda tem muita história por aí esperando alguém para contá-las. Não desistam, a crise sempre existiu”, incentivou Ricardo Kotscho.

Cobertura Educomunicativa

A Agência Jovem de Notícias realizou a cobertura educomunicativa do Seminário “Jornalismo: novas configurações do quarto poder”, realizado pelo Sesc Vila Mariana e a Revista Cult. A atividade é realizada em parceria entre a Viração e o Sesc Vila Mariana e conta com a participação de 13 jovens estudantes de jornalismo, com o apoio de profissionais da Viração.