Famílias monoparentais: os desafios de ser mãe solo

As famílias monoparentais são muito comuns por todo o mundo. Segundo a Constituição Federal, é intitulada como família monoparental ou uniparental aquela que é constituída por apenas um dos pais (pai ou mãe) e seus filhos. No Brasil, 5,5 milhões de crianças não possuem o nome do pai na certidão de nascimento.

Uma família monoparental pode ser constituída por inúmeras razões. Por livre escolha, como adoção e gestações ocasionadas através de inseminação artificial, ou quando ocorre abandono, término de relacionamento ou viuves.

Segundo o Censo Demográfico de 2010 sobre Família e Domicílio, as famílias monoparentais são predominantemente constituídas pela figura materna. 

As famílias que são mantidas predominantemente pela figura feminina, refletem o cenário injusto e machista em que vivemos. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e estatística, a mulher continua sendo a principal responsável pelos filhos.  “Em 2015, das 10,3 milhões de crianças brasileiras com menos de 4 anos, 83,6% (8,6 milhões) tinham como primeira responsável uma mulher (mãe, mãe de criação ou madrasta).”

Essas mulheres são chamadas de “mães solos”. Independentemente de serem solteiras, casadas, viúvas, ou divorciadas, elas são as principais ou até mesmo as únicas responsáveis pelos filhos, seja financeiramente ou por disponibilidade de tempo. E essa tarefa carrega grandes desafios. Por isso, nesse Dia das Mães, a AJN conta histórias de algumas dessas mulheres.

 

Mãe solo por acidente

Independentemente do motivo pelo qual uma família monoparental foi formada é, sem dúvidas, um desafio.

Bianca e sua filha, Gabrielly

Bianca Dias tem 19 anos e é mãe solo desde os 16 anos, quando engravidou acidentalmente. Um ano depois do nascimento de sua filha, Bianca terminou o seu relacionamento após ser agredida fisicamente pelo parceiro.

“Quando descobri que estava grávida eu já estava de 3 meses. Foi um choque! Eu tinha apenas 16 anos, sem um trabalho, só estudava. O meu namorado na época nem estudava nem trabalhava. Não sabia exatamente por onde começar, pois era nova e nunca havia parado para pensar como seria a vida de mãe (…)”

Por ter sido pega de surpresa e por ter rompido o seu relacionamento um ano depois do nascimento de sua filha Gabrielly, Bianca passou por muitas dificuldades nos primeiros meses.

“Ser mãe nova é perder passeios, diversões, noites de sono, mas também tem o seu lado bom. É acordar e ver um sorriso, ter um choro e você ser a calmaria dele (…) Existem dificuldades, além de ser mãe temos o papel de ser pai. Tenho a missão de fazer de tudo e em dobro para não faltar amor. Desafios estão por vir, não sei exatamente quais, mas sempre estarei de pé para ultrapassar de cabeça erguida e para o bem da minha filha”, ela conta.

Apesar das dificuldades, Bianca contou com muita ajuda. ”A minha motivação, em primeiro lugar, é minha filha, em segundo, minha mãe e minha avó, que me criaram sem homens e sem me deixar sentir falta da presença paterna, sem deixar faltar amor e carinho. Elas são guerreiras, Me espelho nelas.”

Dinair, seu falecido marido, e seus dois filhos em retrato

Dinair Aparecida, de 48 anos, também vive em uma família monoparental, mas sua situação é diferente da Bianca. Seu marido faleceu quando ela tinha 37 anos e seus dois filhos, Douglas e Gabriel, apenas oito e três anos, respectivamente.

“Quando ele morreu foi muito difícil ter que falar para os meninos porque eles eram tão pequenos”, conta. Mas apesar dos desafios que a vida lhe trouxe, Dinair não se deixou vencer. “Meus filhos foram a minha motivação para seguir em frente, porque eles não tinham culpa do pai deles ter morrido.”

Dentre as maiores dificuldades que enfrentou, ela cita a dupla jornada feminina, que teve que superar sozinha. “O meu principal desafio foi levá-los à escola e trabalhar ao mesmo tempo. Além disso, ter que frenquentar as festas de dia dos pais sozinha. Deixá-los sozinhos em dia de chuva era uma situação horrível, pois a minha casa enchia de água.”

Os desafios de Dinair não pararam por aí. “Em 2010 a minha sogra me expulsou de casa, alegando que precisava alugá-la, então fomos morar na casa que era da minha mãe. Ninguém me apoiou, eu encontrei o apoio em Deus.”

Apesar disso, hoje Dinair vê a situação com bons olhos: “Ser mãe é uma dádiva! É muito bom, é maravilhoso; é aprender um pouco a cada dia.”

 

Mãe solo por escolha

Luciana e seu filho, Cauã

Ao contrário de Bianca e Dinair, Luciana Teixeira vive em uma familia monoparental por opção. Ela resolveu adotar o seu filho Cauã mesmo com a ausência de um parceiro. “Eu achei que mesmo não tendo casado eu gostaria de ter um bebê. Achei também que eu tinha a responsabilidade social de ajudar alguém, sempre achei que mesmo tendo um filho eu adotaria um também.”

Mas apesar de se encontrar em um cenário diferente de Bianca e Dinair, Luciana também enfrenta grandes desafios: “Dificuldades são muitas. Só tenho a ajuda da minha mãe quando o Cauã fica doente e precisa faltar a aula. O dia-a-dia é complexo porque o Cauã é um menino bem agitado, mas aprendemos a dar um jeito em tudo.”, ela conta.

Além dos desafios, Luciana também enxerga o lado bom de ser mãe solo. Para ela, não ter que discutir a educação de seu filho com outros e poder tomar decisões sem precisar de uma terceira pessoa é uma das melhores partes de criar um filho sozinha: “Normalmente, homem e mulher discutem por tudo em relação aos filhos. Eu não tenho esse problema.”

Para Luciana, ser mãe do Cauã é aprender diariamente: “É uma evolução contínua. Precisamos aprender todos os dias a lidar com o nosso sentimento e de uma outra pessoinha. Nós aprendemos muito com eles. É um amor sem igual que nem dá para descrever. É o amor incondicional que todos falam. Pode ser muito difícil ser sozinha, mas arrancamos forças do além para fazer nosso filho feliz, um sorriso dele vale mais que um milhão.”