“Priorizar os aspectos negativos é jogar a opinião pública contra o evento”, diz deputado Jean Wyllys sobre a Parada Gay

Para presidente da associação que organiza o evento, empresas só querem o dinheiro de gays e lésbicas e não assumem responsabilidade social para esse público

Texto e fotos por Maria da Cruz, 17 anos, adolescente comunicadora, e Rafael Silva, educomunicador

SÃO PAULO – A coletiva de imprensa da 17ª Parada Gay de São Paulo foi realizada na manhã deste domingo, 02, com a presença de autoridades públicas e de organizares do evento, que apontaram a necessidade de efetivar políticas públicas que garantam a criminalização da homofobia. Com o tema “Para o armário, nunca mais!”, a Parada deste ano reafirma seu compromisso de luta pelos direitos civis da comunidade GLBT.

“A parada não é um carnaval fora de época, mas sim o maior movimento de visibilidade massiva de uma parcela da comunidade que passam diariamente preconceito, ódio, discriminação e intolerância”, contou o presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, Fernando Quaresma.

Quaresma também disse que, mesmo após 17 anos de evento, ainda é difícil captar recursos de patrocínio, pois as empresas temem associar suas marcas ao evento. “Neste ano, batemos na porta de várias empresas privadas e estatais que dizem ser abertas e sem preconceito, mas a grande maioria não quis apoiar a parada de São Paulo, mostrando só querem o dinheiro (de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) e não responsabilidade social”.

Principal defensor da causa LGBT no Congresso Nacional, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) lembrou do papel da imprensa nessa luta e criticou os veículos de comunicação que preferem dar destaque aos problemas da parada, considerados comuns nos eventos reúnem grande concentração de pessoas. “Priorizar os aspectos negativos é jogar a opinião pública contra o evento”, afirmou. O deputado também comentou das propostas de leis que enfrentam dificuldades de serem votadas no Congresso, como o casamento gay. “O CNJ garantiu materialmente o casamento, mas a gente precisa dar força de lei a isso. Precisamos mudar o texto da Constituição e mudar o texto do Código Civil. É preciso garantir na lei, mudar o texto na definição de casamento, mostrar que casamento não é só homem e mulher, e que o Estado tem que proteger igualmente todas as famílias”.

Já a ministra da Cultura Marta Suplicy destacou o retrocesso que o Brasil teve ao aceitar que o deputado Marco Feliciano (PSC-SP), considerado homofóbico e racista, assuma a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. “Parece que não temos muito progresso. Fui relatora do (projeto que criminaliza a homofobia) 122 no Senado e, apesar de todos os acordos e de tudo o que tentamos, chegamos na hora H e a gente não conseguiu (aprovar). Aí agora acontece essa tragédia grega na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, atingindo o ápice da falta de respeito da comunidade (LGBT) e aos direitos humanos”.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), reafirmou o compromisso da cidade em lutar pelo reconhecimento e respeito à comunidade gay. “A luta por direitos civis é uma luta de todos por uma convivência pacífica na cidade de São Paulo, no Brasil e no mundo. O mundo todo tá despontando pra isso, tá lutando por isso e nós vamos concluir esse processo civilizatório, e aqueles que hoje não conseguem compreender isso, vão ter se render aos fatos. O ser humano nasceu para ser livre, independentemente da intolerância, da incompreensão e de qualquer tipo de fobia”, falou.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), falou sobre as iniciativas que o Estado têm feito para garantir que agressores de LGBT sejam punidos. Lembrou que São Paulo foi o primeiro Estado a criminalizar a homofobia por meio da lei 10.948 e a criar a Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). “A injustiça cometida contra um cidadão ou cidadã é uma ameaça a toda sociedade, ela extrapola essa luta por direitos humanos e direitos civis”, disse.

A 17ª Parada Gay de São Paulo segue durante toda a tarde deste domingo pela Avenida Paulista e Rua da Consolação, com show de encerramento às 19h na Praça da República.