Iniciativas podem trazer avanços climáticos para o Brasil

|Por: Evelyn Araripe e Bruno Castro

Enquanto os acordo multilaterais, que envolvem vários países, demoram para ser firmados – vide a COP que já se arrasta por 22 anos! – acordo bilaterais, entre dois países, tendem a serem firmados e executados com mais velocidade. Um exemplo acaba de ser apresentado no pavilhão do Brasil na COP-22. É o Lab Brasil, uma parceria entre os governos do Brasil e EUA que busca investidores públicos e privados para financiar projetos que ajudem o Brasil a implementar a sua “contribuição nacionalmente determinada” (NDC, em inglês), que nada mais é do que a meta de redução de emissões de CO2 do país.

O Lab é uma iniciativa gerida pela organização Climate Policy Initiative e tem o Brasil como o primeiro país a firmar parceria e executar ações. A ideia é envolver diferentes atores para juntos sugerirem e implementarem soluções que ajudem a reduzir ou evitar os impactos das mudanças climáticas.

No caso brasileiro, a prioridade são as áreas de agricultura, florestas e energia, e uma chamada de propostas já foi aberta ontem a tarde. Organizações da sociedade civil podem propor soluções na plataforma online e interagir com uma rede que lhes ajuda a aperfeiçoar as propostas. As ideias escolhidas por um comitê formado dentro do LAB Brasil (e que envolve desde o poder público até empresas) serão financiadas e implementadas. O LAB chega a disponibilizar até U$600 milhões para implementar uma ideia.

A plataforma recebe sugestão de projetos até o dia 16 de Dezembro. O site para cadastro é climatefinanceideas.org (em inglês).

Outra iniciativa que pode ajudar o Brasil na luta pela preservação do meio ambiente é o relatório lançado pelo Greenpeace.

lançamento do relatório do Greenpeace na COP22
lançamento do relatório do Greenpeace na COP22

“E agora José, o clima mudou, a luz apagou, a água sumiu, o dia esquentou…” Assim como o poema de Drummond, o novo relatório lançado pelo Greenpeace Brasil tem o mesmo drama: os efeitos das mudanças climáticas. O documento foi lançado durante a 22ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas, em Marraquexe. No evento, estavam presentes Pedro Telles, representante do Greenpeace Brasil, Carlos Rittl do Observatório do Clima, Juliana Baladelli da Fundação Grupo Boticário e Paulo Adário, também do Greenpeace, o senador Jorge Viana e o ex-ministro do Meio Ambiente José Carlos Carvalho.

O estudo publicado foi elaborado a partir de pesquisas publicadas entre 2008 e 2016 sobre os impactos das mudanças do clima no Brasil. Mesmo num cenário de aumento de temperaturas menor que 1,5°C, estima-se que a agropecuária vá perder R$ 3,6 trilhões até 2050. Saúde, emprego e geração de energia são outras questões estudadas.

Apesar dos impactos negativos relatados, as informações podem levar a um maior conhecimento das mudanças climáticas no Brasil e assim, mobilizar pessoas, organizações e governos por uma maior preservação ambiental.

O relatório, que conta com uma análise sintética de mais de 40 estudos sobre os impactos e desafios das mudanças climáticas no Brasil, representa um avanço no acesso às informações relacionadas à temática. Geralmente esse assunto é tratado de maneira extremamente técnica e pouco acessível à população em geral, mas esse documento pode ser encontrado no site da organização e está organizado em nove frentes: Agricultura, PIB, Saúde, Infraestrutura, Migração, Energia, Amazônia, Serviços Ambientais e Desastres Naturais. (Confira o relatório na íntegra.)