Não é só de prazeres que se vive a sexualidade; Responsabilidades, consciência e prevenção também

Por Cristiane Rosa, educadora do Programa Adolescer

ARTIGO – Não é só de prazeres que se vive a sexualidade. Responsabilidades, consciência e prevenção andam lado a lado com esse assunto.

Se você tem menos de 30 anos, faz parte de uma geração que cresceu ouvindo falar de sexo com camisinha, que só se deve fazer sexo com camisinha. Mas nem sempre foi assim.

Até os anos 1980, as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) não eram faladas com muita importância ou preocupação. Falava-se em grupos de risco isolados, como por exemplo, os homossexuais e as prostitutas. Mas aí veio o “boom” da Aids, uma doença assustadora, sem cura, que matou muitos jovens e adultos naquela época. Começaram as campanhas de prevenção e um forte apelo para o uso da camisinha, a única forma capaz de evitar essa e outras doenças, além da gravidez.

Ao longo dos anos, a camisinha passou a fazer parte da vida sexual de adolescentes, jovens e adultos, as campanhas tomaram força, os coquetéis de medicação para combater o vírus HIV tornaram-se mais acessíveis, e então tudo ficou bem, certo? Não! As DSTs ainda estão aí, contaminando silenciosamente muitos que deixam de lado a camisinha. Os grupos de risco não existem mais, e agora mulheres e homens, casados ou não, adolescentes e jovens, e até mesmo os idosos passaram a contrair essas doenças devido ao descaso com a prevenção.

Vários métodos contraceptivos, incluindo as camisinhas masculina e feminina, previnem a gravidez, mas apenas as camisinhas previnem também as DSTs, e infelizmente o uso delas vêm despencando a cada ano.

Em agosto de 2011, o jornal “Folha de S. Paulo” trouxe uma matéria sobre o fato do governo ter diminuído a distribuição de camisinha, por conta de uma queda na procura. Segundo a reportagem, baseada em uma pesquisa, havia uma redução nos números da gravidez entre adolescentes e, ao mesmo tempo, uma redução do uso da camisinha entre eles. Por outro lado, a pesquisa apontou que o uso da chamada “pílula do dia seguinte” aumentou, o que nos faz pensar então que adolescentes e jovens não estão se prevenindo de doenças, estão apenas pensando em evitar a gravidez. E de um jeito bem complicado, já que a pílula do dia seguinte deveria ser utilizada apenas em casos de emergência, e nunca como método contraceptivo de rotina, já que se trata de uma “bomba de hormônio” no corpo da mulher, que não pode ser utilizada corriqueiramente.

É importante nos perguntarmos por que esse comportamento de não prevenção, por que estamos, jovens e adolescentes, deixando a camisinha de lado.

Muitos adolescentes assumem que o medo de engravidar é maior do que o de contrair uma doença, pelo medo da reação dos pais e familiares, medo de fofocas dos vizinhos e das atitudes dos colegas de escola, afinal a barriga cresce, o neném nasce, não dá pra esconder. Já a doença… essa ninguém vê, aliás aquela menina tão bonitinha e cheirosa não tem cara de quem tem uma DST né?! Muitos pensam assim, e se enganam, pois doença nenhuma escolhe raça ou classe social. As doenças estão aí, o tempo todo, e é preciso estar bem informado e prevenido sempre.

Vocês já devem ter ouvido a frase: “quem vê cara não vê Aids”. Pois é, não vê Aids, nem sífilis, gonorreia, cancro mole, candidíase, hepatite B, herpes genital… Não vê nenhuma dessas DSTs, e várias outras. Mas elas podem estar lá, independente de quem seja seu parceiro ou parceira. E cada uma delas tem uma forma de contágio e manifestação – sintoma – específicos. No site do Ministério da Saúde, no Programa DST-AIDS-Hepatites Virais, você pode encontrar várias informações sobre estas doenças (www.aids.gov.br).

O uso da camisinha, além de ser o único método contraceptivo que previne também as DSTs, é fácil e gratuito. Não é uma beleza? Você não precisa nem gastar para estar protegido: basta procurar uma Unidade Básica de Saúde no seu bairro e solicitar o preservativo. Todo adolescente tem direito a isso. Agora, é super importante saber usar a camisinha. Pode parecer bobagem – “claro que todo mundo sabe usar a camisinha!”- mas não é… Muita gente não sabe nem abrir, nem colocar, nem tirar a camisinha, e aí, ela perde a segurança. Sabe aquela história de “a camisinha furou”? Camisinha só fura se for mal colocada, então, corre buscar ajudar pra aprender direito. E a hora de colocar também pode ser um momento de sedução e brincadeira entre você e seu parceiro ou parceira. Pense nisso!

Em resumo: não dê bobeira! Informe-se! Essa é a melhor forma de prevenção, e de viver a sexualidade de um jeito tranquilo e protegido.

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www.bemvindo.org.br

Ilustração por Natália Forcat/Arquivo Viração