Sexo anal: evite passar cheque fazendo a chuca

Vinícius Gallon, de Curitiba (PR) | Ilustração de Natália Forcat

Sexo anal é um tema que reúne duas coisas que sempre foram motivo de vergonha para a sociedade ocidental: merda e sexo. Questões bem recorrentes são: dói? É bom? Suja?

Infelizmente, as respostas para essas perguntas são bem relativas. Certo mesmo é que de “lá” não saem flores. Mesmo assim, é melhor evitar o “cheque”, que são aqueles resquícios de fezes indesejados, e ter uma experiência mais agradável. Além de uma alimentação rica em fibras e ir ao banheiro horas antes do sexo, outra dica é fazer a chuca, também chamada de enema. Por isso, a Viração consultou o proctologista dr. Rubens Valarini e o médico dr. Ivan Jorge Ribeiro para esclarecer mitos e verdades sobre essa prática de higienização anal.

O que é o enema (chuca) e quais são as suas indicações?

Trata-se da introdução de líquido no ânus para realização de limpeza ou infusão de medicamentos no canal anal. É indicado em casos de impactação de fezes no reto, realização de exames, introdução de medicamentos e antes do sexo anal. Enemas adquiridos nas farmácias podem ser aplicados pela própria pessoa.

A chuca deve ser feita antes do sexo anal?

É importante para eliminar os resíduos fecais ali contidos. Isso não significa eliminar totalmente a possibilidade de contaminação. O enema provoca uma higienização e não uma esterilização do reto, podendo provocar contaminação no parceiro, caso não se utilize preservativo, que deve sempre ser usado, pois protege da contaminação bacteriana e das doenças sexualmente transmissíveis (DST).

Algumas pessoas utilizam materiais alternativos para fazer a chuca, como o chuveirinho e até garrafa pet. Quais são os riscos?

Não é seguro, pois há riscos de provocar traumas no local, que acarretam em complicação grave, que, por vezes, necessitam de tratamento cirúrgico e deixam as pessoas mais vulneráveis às DST.

Mais dicas do dr. Ivan Jorge Ribeiro:

Na chuca caseira, evitar água clorada, que destrói a flora intestinal e não utilizar muita água de uma só vez. Muita gente deixa a água entrar até sentir dor, isso pode romper o intestino. O ideal é utilizar água morna ou fria e evacuar no vaso assim que sentir qualquer desconforto. Esse procedimento pode ser repetido algumas vezes, até sentir que a região está limpa o suficiente. Nesse processo, você pode usar no máximo um litro de água. Além disso, o excesso de água causa dificuldade de reter as fezes ou o contrário: o intestino pode se acostumar com a chuca e ficar “preguiçoso” e a pessoa não consegue mais evacuar normalmente. Fazer a chuca todos os dias também não é recomendado, porque pode perturbar a flora intestinal e causar diarreias e infecções.