Uma COP21 com futuro contado

Por: Sebastian Roa

Paris, 07 de setembro de 2015 – A menos de uma semana de acabar um dos maiores eventos sobre mudanças climáticas do planeta em Paris – COP21 – as incertezas e os desdobramentos que as negociações estão tomando, criam um cenário não muito positivo para as futuras gerações.

O que se comenta e observa nos corredores e salas de negociações da COP21 é a dificuldade em chegar a um consenso, seja por interesses econômicos, políticos ou sociais. As negociações giram, principalmente, em quanto os países ricos precisam se comprometer para reduzir e mitigar as ações das mudanças climáticas, além das emissões dos gases de efeito estufa, frente às ações que os países menos desenvolvidos deverão realizar.

Um exemplo é a União Europeia, que se compromete a ajudar e contribuir para que os países que emitem menos gases implementem programas, tecnologias e processos mais sustentáveis, porém, a Aliança dos Países da África quer colocar também em negociação o ressarcimento dos danos causados pelos países que mais emitem gases, isto é, os países mais industrializados. É nesse ponto que as negociações travam e os acordos não avançam.

Porém já existe um rascunho de acordo climático que foi assinado no dia (5) de dezembro, o acordo em si é um rascunho que deverá ser discutido esta semana, mas deixa em aberto muitas questões políticas e de gestão. De fato, não há ainda ações concretas, a não ser a petição de que todos os países se comprometam a evitar que a temperatura aumente menos do 1.5º Celsius, porém o acordo ainda precisa passar pelas discussões dessa semana.

Em contraponto ao emaranhado negativo das negociações, a sociedade civil e as organizações não governamentais dão show nas intervenções e nas mobilizações para cobrar dos negociadores mais ousadia na hora de definir metas. A juventude está presente e também quer mudanças, além de mais agilidades na hora de negociar.

O teor técnico das informações não consegue retratar e sensibilizar a importância deste acordo para a terra, pois, dados, gráficos e textos gigantes sobre mudanças climáticas não traduzem as mortes causadas por desastres naturais ou a escassez de alimentos gerada por contaminações de multinacionais.

O que nos resta esperar no final dessa semana, é que haja pelo menos um consenso no que ser refere ao tema da emissão dos gases de efeito estufa e ações mais sólidas voltadas para manter a temperatura abaixo de 1.5º Celsius.