Desenvolvimento Sustentável ou Desenvolvimento Democrático?

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Por: Pedro Cunha, do Coletivo VIVA HOJE e representante do PNUMA/Tunza – Conselho Consultivo de Juventude e Ambiente para a América Latina e Caribe 2013/2015

Nesta última terça-feira, 11 de fevereiro, participei do evento “Diálogos Sociais: desenvolvimento sustentável na Agenda Pós2015 – construindo a perspectiva do Brasil.” à convite da Secretaria-Geral da Presidência da República, no Rio de Janeiro.

O evento reuniu relevantes agentes de todos os setores atuantes no Brasil (Sociedade civil, Governo, ONU …) para levantar contribuições a serem defendidas pelo governo brasileiro na agenda Pós2015. E o que é o Pós-2015?! 2015 é o ano em que acaba o prazo dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio (ODM), e como decidido na Rio+20, serão lançados os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) no mesmo ano.

Os ODM foram criados no ano 2000 pela ONU e a grande crítica é que não houve participação dos governos nem da sociedade civil no desenvolvimento dos objetivos e metas do milênio. Foi algo “de cima para baixo” como muito falado no evento no Rio. Já os ODS estão sendo feitos diante de diversos mecanismos de consulta e tem como objetivo incluir a todos, no sentido “de baixo para cima”. Infelizmente estamos esquecendo de colocar como parte interessada a agente mais importante que é a natureza e essa esta sendo pisoteada nesses processos de sentidos “verticais”. Precisamos re-pensar o conceito de desenvolvimento sustentável onde o sistema seja horizontal, e a natureza (toda e qualquer forma de vida) colocada como parte interessada. TODOS FAZEMOS PARTE DO AMBIENTE!

Conforme colocado pelo Secretario-Geral do Ministério de Meio Ambiente (MMA), Francisco Gaetani, “ainda estamos longe de ter o “ambiente” dentro das agendas de todo e qualquer Ministério ou iniciativa… é algo que embora tenhamos grandes esforços, temos dificuldades de agirmos com todos diante de um sistema tão fragmentado”. [minhas palavras para o que ele disse]

O evento foi uma oportunidade de termos as vozes da sociedade civil organizada convidadas para um espaço de diálogo, mas como colocado pela jovem Juliana Kitanji , “todos sabemos que este processo esta sendo feito pela metade da sociedade para cima, os grupos mais vulneráveis não estão sendo devidamente representados e muitas vezes esquecidos” [minhas palavras para o que ela falou]. Me pergunto, será que a sociedade civil está sendo estratégica e conseguindo atingir seus objetivos?! Que tipo de desenvolvimento queremos?!

Vejo que este sistema “fragmentado” gera um comportamento de competição que nos divide, e nos separa do ambiente! Jovens, ONG´s, Mulheres, Indígenas …. todos que em muitas óticas são apenas Um … debatem entre si, e se vêem como rivais, em busca de espaços para sua voz e recursos para suas iniciativas.

Será que o modelo que estamos desenvolvendo não seria melhor definido como “democrático”?!

A mudança tem que ser de consciência, da competição para a cooperação, compreendendo que todos nós fazemos parte do ambiente. Temos grandes capacidades e potencialidades e com elas suas responsabilidades. Todos deveríamos assumir o compromisso de “respeito à comunidade da vida”, e sermos responsáveis por uma transformação em direção à “sustentabilidade”. Responsabilidades comuns porém diferenciadas, de acordo com suas capacidades e insumos. LEMBRANDO QUE A NATUREZA (ARVORES, PÁSSAROS … ) NÃO TEM VOZ PARA ESTAREM NESTE DIÁLOGOS e por sua vez vem a perder seus espaços e recursos.

Deixo aqui meu pedido de reflexão e contribuições – de você leitor – de como o Governo do Brasil pode influenciar de forma decisiva no desenvolvimento do Pós2015 e de modo a trazer o ambiente e a natureza, PRINCIPALMENTE A ÁGUA (EM SUAS DIVERSAS FORMAS), em uma nova perspectiva na Agenda Internacional. Suas contribuições podem ser feitas na plataforma do Participatório, pelo link:  http://www.participa.br/desenvolvimento-sustentavel/desenvolvimento-sustentavel

Precisamos considerar o Ambiente, não no centro, como muitos acusam, como solução ou utopia dos ambientalistas, mas como o Todo! No evento no Rio de Janeiro, a contribuição que fiz foi de incluir a “Integridade nas Relações Ecológicas” no diálogo. Vi que muitos não compreenderam o que eu quis dizer por completo, mas acredito na sustentabilidade como a ciência da integração, onde os canais e fluxo constante em ambas os sentidos são mais importantes do que o que flui (a matéria), ou de onde vêm. O que posso dizer é, MUITA ÁGUA ESTÁ SAINDO E VAI SAIR DE VARIAS MANEIRAS DO BRASIL, como a carne e o suco de laranja que o Brasil exporta hoje e nós já vivemos a escassez deste recurso em nossas casas!

Como podemos criar mecanismos e metodologias de cooperação entre todas as partes do Ambiente, criando uma agenda de desenvolvimento horizontal?

COMO E COM QUE TIPO DE DESENVOLVIMENTO QUEREMOS VIVER?!

Quer saber mais sobre o Pós-2015? Acesse: http://pos2015brasil.org