Prefeitura de SP acaba com programa Jovem SUS

Atualmente, a juventude é a parcela da população brasileira que mais sofre com a alta taxa de desemprego. Muitos jovens ainda estão concluindo os estudos regulares e buscam inserção no mercado de trabalho.

Em São Paulo, uma das políticas públicas que assegurem oportunidades de trabalho às juventudes é o Jovem SUS. Por meio de capacitação profissional, jovens de 18 a 29 anos podem prestar atendimento nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) da cidade. No final de 2016, 574 profissionais de Saúde eram beneficiários do programa, que agora está suspenso.

Diante da extinção do Jovem SUS, na última segunda feira jovens se mobilizaram em frente a Prefeitura de São Paulo. “O projeto representa uma evolução para todos que se dedicaram a ele. Conviver com os pacientes nos permite ter um conhecimento e uma evolução enorme”, conta a jovem Roberta, uma das beneficiárias do programa, que iria até dezembro deste ano.

A partir da mobilização, os jovens pressionaram a Prefeitura para que a demissão em massa de funcionários ligados ao projeto fosse suspensa, e agendaram reunião junto a Secretaria da Saúde com o objetivo de debater o futuro do projeto.

No final do mandato de Haddad, em dezembro do ano passado, 574 jovens estavam no programa. Desde que o Jovem SUS foi implementado, em 2015, as reclamações na Ouvidoria diminuíram em 32% e as 256 unidades de saúde participantes foram melhor avaliadas pelos usuários.

A justificativa da área técnica da atenção básica foi de que os munícipes não seriam afetados pela falta dos jovens nas unidades, no entanto, nenhuma pesquisa foi desenvolvida.

“Além do controle de fluxo da unidade, conhecemos os pacientes e suas necessidades, levamos os problemas e as dúvidas para os responsáveis, que conseguem atender melhor e interpretar o problema do paciente”, conta Roberta.

Na última segunda-feira (10) a reunião que ocorreu na Secretaria da Saúde, em São Paulo, nada esclareceu aos jovens. Os bolsistas lamentam a falta de compromisso da Prefeitura com os jovens, com o projeto e principalmente com a população. Para alguns, a renda do Jovem SUS é indispensável para os estudos, subsidiando até a faculdade. Além disso, o valor permite independência financeira e acesso às necessidades básicas como alimentação, lazer e mobilidade.

Com o fim do programa, centenas de jovens entrarão na fila do desemprego, em busca de  reinserção no mercado de trabalho. Muitos desses jovens representam as minorias, como a população LGBT, mulheres, negras e negros e jovens vivendo com HIV. Além disso, a ação afetará também as UBSs participantes do programa, que não mais contarão com melhor acolhimento e atendimento do Jovem SUS.

Portanto, a força da mobilização social é muito importante para que problemas como este tenham uma possível solução. Se atentar para a equidade e reconhecer os privilégios pessoais já é um bom começo para que possamos solucionar as falha no sistema de educação, trabalho e saúde. Mobilização social para a garantia e proteção de direitos e conquistas sociais, como bem demonstrado pelos jovens do programa Jovem SUS, mostram que a juventude reconhece os seus direitos e está pronta para lutar.