Renajoc debate comunicação e criminalização dos movimentos sociais em Macapá

Macapá_Fórum

Jovens Comunicadores da Amazônia 

A Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores (Renajoc) marcou presença no VII Fórum Social Panamazônico colaborando com um debate sobre a comunicação como direito humano e criminalização dos movimentos sociais, ocorrido no dia 29 de maio, em Macapá (AP).

A temática vem sendo debatida há bastante tempo no campo dos movimentos sociais, sobretudo o processo de criminalização desses movimentos, que vem desde o período ditatorial no Brasil, com a censura e perseguição aos contrários ao regime. E hoje, de forma bastante acentuada, essa perseguição se dá pelos meios de comunicação tradicionais, que propagam informações negativas sobre os processos protagonizados pelos cidadãos das classes menos favorecidas e/ou ditas minorias.

Integrante da Renajoc e educador social da Unipop, Diego Teófilo chamou atenção para garantia da democratização da comunicação e a importância da educomunicação no papel da descriminalização dos movimentos sociais. “Precisamos fazer o debate do direito humano à comunicação de forma mais ampla na sociedade, para que possamos enfrentar o processo de criminalização dos movimentos sociais”, enfatiza.

“Considero que as discussões fomentaram ainda mais minha prática de construir informações, pois a necessidade de propagar as vozes dos lutadores sociais é extremamente importante para o fortalecimento da nossa rede contra-hegemônica”, afirmou o jovem paraense Sidney Silva, de 28 anos.

Para Edilberto Sena, da Rede de Comunicação da Pan-Amazônia, “a comunicação deve ser compreendida como contraponto à lógica desenvolvimentista”. De acordo com ele, esta lógica se apresenta de forma bastante negativa no contexto da Pan-Amazônia, já que na Amazônia brasileira, por exemplo, as construções de hidrelétricas afetam diretamente a dinâmica de vida das comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas.

Hugo Ramires, representante da Associação Latino-Americana Radiofônica, destacou que esperava que a mídia hegemônica estivesse presente durante a realização do evento, principalmente pela importância do Fórum para a região. “Há uma ideia de que comunicadores só são aqueles que passaram por centros de formação ou universidades. Isso é equivocado, pois todos somos comunicadores”, disse Hugo.

A discussão sobre a possibilidade de fazer comunicação em qualquer espaço e por que tem vontade também foi levantada por Otto Ramos, do Coletivo Fora do Eixo e colaborador da Mídia Ninja em Macapá. De acordo com ele, desde as chamadas Jornadas de Junho de 2013, a Mídia Ninja vem sofrendo um processo de criminalização, inclusive por grandes veículos de comunicação. Nesse sentido, Otto aponta para a necessidade dos movimentos sociais continuarem fortalecendo a mídia alternativa e livre.