Relatos da COY12: Quebrando tabus em Marrocos

Jovens contam como está sendo a experiência durante evento sobre clima, no país

  • Os brasileiros quilombolas na COY

impressions

| Por Raíra Ribeiro de Souza, Flávio Castro, Jose Aparecido Nunes Rodrigues e Flávia Martinelli

O início da Conferência Internacional dos Jovens pelas Mudanças Climáticas (COY12) que antecede a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP22) coincidiu com nossa primeira impressão sobre o país. Foi uma realização chegarmos ao Marrocos, e a sensação é de estarmos vivendo um sonho. Nos sentimos acolhidos pelo povo marroquino, e foi possível tirar muitas fotos das paisagens e da cidade na nossa primeira manhã em Marraquexe. A língua ainda é uma barreira, mas aos poucos vamos nos acostumando com as diferentes línguas do país (predominantemente árabe e francês). Foi possível ver que existem algumas linguagens universais, como alguns gestos de comunicação, e também a dança, já que muitas marroquinas pediram que ensinássemos elas a sambar, e isso foi como ultrapassar uma barreira linguística. Até arriscamos uns passos ao final do primeiro dia de trabalho.

Quando nos reunimos para planejar o dia seguinte de trabalho, conhecemos alguns jovens, principalmente os marroquinos, que são muito abertos e ficam curiosos quando falamos do Brasil. À medida que conhecíamos alguns jovens marroquinos, alguns tabus eram quebrados. Ao contrário do que pensávamos, são jovens muito parecidos com a gente, na modernidade e no jeito de se vestir. Ao conversar com a Fatima Ezzahra, uma jovem de 16 anos que vive em Marraquexe, percebemos que a religião muçulmana predomina no país, mas não é repressora como imaginávamos. Aprendemos que o lenço que esconde os cabelos nas mulheres, e também as longas vestimentas, não são impostas a nenhuma mulher. Além disso, existem feministas no país, como a jovem Hiba, que planeja estudar fora do Marrocos quando ingressar na universidade.

Todos os jovens participantes da Agência Jovem de Notícias internacional, italianos e marroquinos que conhecemos, se mostraram muito animados para participar da COY12. Apesar da abertura da COY não ter acontecido no primeiro dia, mantemos algumas expectativas para a Conferência: que traga bons frutos para o planeta, colocando em pauta as energias renováveis por exemplo, e mais ainda, esperamos conhecer mais jovens que pensam parecido com a gente, que querem fazer algo para mudar o mundo, e assim, nos inspirarmos por eles. Quando voltarmos para casa esperamos levar ideias para nossas comunidades, de hábitos mais sustentáveis, e transmitir um pouco da experiência que vivemos aqui em Marraquexe.

* Os jovens foram premiados pelo Concurso Jovem mudando o mundo!, que aconteceu no âmbito do projeto Geração Jovem, realizado pela Viração e pela Enel Green Power em comunidades quilombolas em três municípios do nordeste. Cada um dos concorrentes enviou um vídeo sobre como os jovens podem ajudar a cuidar do planeta. Os vencedores José Aparecido, 22, da comunidade Riacho do Anselmo em São João do Piauí (PI); Flávio Castro, 23, da comunidade Araçá Cariacá, em Bom Jesus da Lapa (BA) e Raíra Ribeiro, 22, de Lage dos Negros, em Campo Formoso também no estado baiano, estão fazendo a cobertura do evento pela Agência Jovem Internacional de Notícias, uma iniciativa da Viração que cobre a COY12 e a COP22. Flávia Martinelli, coordenadora do grupo de mudanças climáticas do Engaja, está acompanhando os jovens no evento.

 

  • Os Marroquinos que sediam e participam da COY

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

| Por: Asmaa El Alaoui Talibi e Zakaria Achakane

Nosso país é anfitrião da COP22 e nós, jovens, estamos participando da COY12 (Conferência Juvenil Internacional sobre Clima). Estávamos prontos, animados e preparados para fazer o nosso trabalho com a Agência Jovem de Notícias. Já tínhamos escolhido o evento do qual fazer a cobertura jornalística, já tínhamos preparado nossas perguntas. Durante o evento, porém, percebemos que não era o mesmo para o qual tínhamos nos preparado. Estávamos no lugar certo e na hora certa, mas não era o evento esprado e não tínhamos sido avisados. Então, decidimos fazer o que qualquer bom jornalista faria. Pesquisamos as informações necessárias. E funcionou! À tarde, já estávamos ambientados ao lugar e tudo correu bem. Tínhamos ido até lá com expectativas diferentes, mas percebemos, mais uma vez, que as coisas nem sempre são como esperamos, por isso temos de ser flexíveis e nos adaptar às situações. Porque a vida não é a festa que você gostaria que fosse, mas se você está nela, deve aprender a dançar!